domingo, 21 de maio de 2017

A época em que ficamos juntas


Ontem eu descobri que você se apaixonou por mim na época em que ficamos juntas. Eu também estava me apaixonando, só tinha medo de admitir isso. Você conhecia as dificuldades da época, os medos que nos cercavam e as novidade que encontramos no meio do caminho. Tudo o que sentimos era algo sensacional de se viver, mas era proibido. Pelo menos, naqueles tempos. Será que hoje estaríamos dispostas a viver novamente a mesma paixão adolescente? Porque, meu bem, sei que nos amamos e sei que essa paixão louca nunca morreu. Ela só se manteve escondida dentro de nós durante todos esses anos, esperando o momento certo de ser despertada. Nossos beijos escondidos sempre foram a prova disso: pequenos lampejos de liberdade, a ínfima saciedade de tudo o que poderíamos ter vivido, reduzidos a pequenos encontros de lábios que necessitam ser beijados. Até hoje quero continuar te beijando... Perdoe-me por aquela época, meu bem, eu realmente não quis te machucar. Hoje eu não quero te machucar. Nem nunca mais.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Um dia tudo será permitido


Antes de ele partir, ela apertou sua mão. O movimento leve após isso fez com que o contato entre suas peles cessasse. E ela não pode fazer nada, a não ser observá-lo se afastar. Ela queria ir atrás, correr até alcança-lo para então roubar-lhe um beijo, mas ela sabia que aquilo não seria permitido. Ela apenas o deixou partir, como fizera tantas vezes antes. Ela era uma pessoa que se permitia apaixonar, se entregava ao sentimento, mesmo sabendo que sentimentos quase nunca são correspondidos. Ela apenas pensava que deveria amar a vida e amar as pessoas que passavam pela sua. Mas com ele era diferente. Porque ele se entregava da mesma maneira. Mesmo que fosse proibido.

Ela o observou partir e decidiu esperar. Um dia, talvez, ele voltasse. Enquanto isso, ela se deixaria apaixonar mais vezes até que ele voltasse e dissesse que, finalmente, tudo seria permitido.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Apenas irei


Eu queria que você tivesse me beijado quando teve a oportunidade e, principalmente, quando quis. Lembra daquele dia nublado, a cidade totalmente deserta e nós dois conversando na rua? Te confesso que fingi que estava com medo de andar sozinha só para você dizer que me acompanharia naquela caminhada de dez minutos. A conversa fluindo e eu, como sempre, falando pelos cotovelos, coisa que só acontece quando me sinto à vontade com alguém. E me sinto extremamente à vontade com você...
Você devia ter me abraçado mais vezes durante essa semana. Não somente em momentos de despedida, mas sempre que quisesse. Porque teu cheiro é inebriante, tuas mãos percorrendo minhas costas me arrepiam, tua boca perto do meu ouvido me deixa com as pernas bambas e meus sentidos apenas querem mais de você. Querem tudo de você.
Você devia me chamar mais vezes para conversar. Apenas qualquer assunto que surgir, desde questões sobre "a vida, o universo e tudo mais", até "por que eu odeio salto alto?", simplesmente não me importa qual assunto abordemos, só quero ter o prazer de uma conversa civilizada com alguém que me agrada ouvir a voz.

Você não devia resistir aos seus sentimentos. Porque eu sei o quanto você deseja estar comigo e descobrir diversas coisas sobre tudo. E sei disso porque me sinto da mesma maneira, a diferença é que não quero resistir. Só estou esperando você me dizer uma única palavra e, então, eu apenas irei.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Agosto


Talvez o seu silêncio seja a minha redenção. O fim de uma história que nem ao menos deveria ter iniciado. Talvez eu diga que está tudo bem e aos poucos me afaste, porque eu sou frouxa e sei que não conseguirei ficar calada se algum dia voltares a falar comigo. Mas sei que devia te ignorar, fingir que não existe, porque, meu bem, a ficha finalmente caiu e eu percebi que sou uma mera segunda opção pra você. Sempre fui. Eu, que sempre tentei me valorizar, mas que nunca encontrei um cara que fizesse meu amor valer a pena. Fui bem idiota com relação a você, agora eu percebo isso...
Nossa saideira foi um beijo na bochecha e um abraço apertado naquele ponto de ônibus deserto, depois de tantas confissões, beijos e carícias trocadas. Aquele era o fim e eu realmente percebi enquanto voltava pra casa, só não sabia ainda o que era aquela sensação escrota dentro do peito. Mas é como disse Leo Fressato certa vez: “Beije-me com gosto ou deixe-me antes de agosto”. E, querido, agosto acabou de começar.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Paradoxos


Esta noite resolvi te escrever para dizer coisas que talvez nunca diga pessoalmente. Na verdade, talvez este texto também nunca chegue a você, querido. Já redigi milhões de cartas, entretanto, na maioria das vezes, escrevo apenas por descargo de consciência, para poder externalizar todo esse turbilhão de pensamentos que me assombram diariamente. E, tenha certeza: são milhões de pensamentos viajando na velocidade da luz dentro de minha mente ociosa. Alguns desses pensamentos eu tento afastar de todas as maneiras possíveis; sem sucesso, como é de se esperar quando se trata de minha cabeça.
Talvez você não saiba, mas ultimamente minhas mais loucas fantasias te envolvem. Imagino como seria se pudéssemos ficar juntos, se pudéssemos entrelaçar nossos dedos num andar de mãos dadas qualquer numa rua cheia de pessoas que nos ignorariam. São pensamentos tão idiotas, mas que definem quem eu sou: uma das pessoas mais idiotas do mundo quando está apaixonada. Sim, querido, estou apaixonada. Perdidamente. Eu me envolvi na sua doçura e seu jeito de se preocupar comigo de uma maneira tão completa que não faço a menor ideia de como isso aconteceu. Quando percebi, ele já estava lá, o sentimento crescendo a cada palavra, a cada dúvida que minha mente criava, a cada “Gosto do que temos” dito em dias tão comuns de chuva no final da tarde...
Hoje, esta carta tem destino certo: ela conhece seu destinatário, mas se recusará a chegar até ele. Talvez seja medo desta que a escreve, medo de envolver-se demais e transbordar, como sempre fiz todas as vezes que me apaixonei. Eu transbordo, querido. Eu me jogo, mergulho de cabeça e, quase sempre, me afogo. É até paradoxal, mas ainda quero me sentir assim: como se a qualquer momento eu pudesse transbordar todos os sentimentos que teimo em trancar. Entretanto, hoje há um certo controle que até me espanta; hoje, não estou disposta a transbordar por nós dois.