quinta-feira, 30 de junho de 2011

Menina Perdida



Não lembro muito bem de como tudo aconteceu.
Lembro-me de estar lá naquele mesmo local onde eu ficava todas as quintas, onde eu sempre me encostava na mesma árvore frondosa, cujo fruto eu não gostava muito, mas que somente ficava lá, porque aquele era seu fruto favorito.
Lembro-me de segurar sua mão, enquanto conversávamos sobre coisas inúteis, coisas que remetiam ao nosso passado, que me faziam sentir felicidade.
Lembro-me de olhar no fundo dos seus olhos enquanto eu pedia veemente que me beijasse, mas você não percebia o meu pedido, e acariciava meu rosto de uma maneira que só você conseguia fazer.
Você tinha um poder sobre mim, que me deixava vulnerável... E eu não podia fazer absolutamente nada para te deter, porque eu queria aquele poder sobre mim, queria você dominando minha mente.
Você levantou e me puxou junto. Ficamos de pé e quando percebi, estava de encontro ao teu peito. Teu cheiro delicioso invadiu minhas narinas e embaçou minha mente, fazendo com que eu não pensasse em absolutamente mais nada.
Teu queixo se apoiou em minha cabeça e você respirou fundo, relaxando os músculos enrijecidos. Percebi que algo estava errado, mas você pra disfarçar minha percepção, começou a beijar minha testa, meus olhos, meu nariz, meu queixo... De maneira leve e graciosa... Da maneira que só você sabia fazer.
Até que nossos olhos se encontraram e eu senti algo escorrer pela minha bochecha. Era uma lágrima. Levantei minha mão até meu rosto e percebi que aquela lágrima não era minha. Olhei-te novamente e te vi chorando. Tua lágrima foi até minha boca e eu senti um gosto adocicado em meus lábios.
Aquela era a despedida. Nem sei o que me doeu mais: te ver chorando ou ouvir o que me dissestes. Ias embora... Para sempre... O desespero bateu instantaneamente e as lágrimas que brotaram dos meus olhos começaram a rolar. Incontroláveis.
Você pediu silêncio com um chiado e depois pediu calma. Mais eu não consegui me acalmar. Até que você me beijou. Nosso primeiro e último beijo. As lágrimas que brotavam, em nossos rostos se misturaram, selando um pacto de amor.
Esperei tanto tempo por aquele beijo, mas não naquelas circunstâncias...
E quando você se afastou, e me olhou de novo eu vi o quanto me amavas. Aos poucos te separastes de mim, afastando-me delicadamente pra não me machucar mais do que já estava machucada. Beijar-tes meus olhos novamente, fazendo com que os fechasse.
E quando dei por mim, o lugar onde suas mãos estavam esfriou. Sua boca já não tocava mais a pele de meu rosto. Seu queixo já não pousava no topo de minha cabeça. E você já estava longe de mim, correndo por aquela trilha no bosque, sem olhar para trás nenhuma vez. Sem ver que eu estava perdida.
Sem ver que eu era somente uma menina perdida sem você...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Culpa de quem?


Estou cansada.
Cansada de ver coisas que não queria ver, ouvir coisas que não queria ouvir e, principalmente, sentir coisas que não queria sentir nunca. Simples. Só cansada...
Hoje foi a verdade que cansou de bater insistentemente na minha porta e pulou a janela. Eu sei que ela sempre esteve lá, mas eu recusava percebê-la. Talvez por achar que enquanto eu a ignorasse, a dor não seria tão grande... E realmente não foi. Mas agora que a ficha caiu, que vi que não posso controlar as coisas ao meu redor, doeu mais que o normal. Estou farta da dor.
É tudo culpa de uma pessoa... Eu queria que ele parasse de se preocupar comigo, que parasse de perguntar onde eu estou e parasse de tentar controlar e investigar a minha vida tentando descobrir o motivo da minha tristeza. Porque dói saber que ele se "preocupa". Só porque as respostas que ele joga na minha cara sempre são a mais pura verdade, por mais que eu também diga algumas verdades... Mas ele não se machuca, pois nunca teve algum sentimento forte por mim, ao contrário dos meus sentimentos por ele.
E mal sabe que o motivo da minha tristeza, das minhas lágrimas derramadas no banheiro da escola ou no meu travesseiro em casa são por causa dele... São porque ele disse que não ia me machucar, mas está me machucando demais; porque me fez uma promessa e agora ela está quase sendo quebrada, se já não foi; porque ele disse "Eu gosto de você" e era mentira... E eu não compreendo porque tenho que passar por tudo isso novamente...
Não preciso de mais palavras de força ou de julgamento. Eu só precisava desabafar.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Lembranças




Eu sempre me pergunto por quê temos que lembrar de coisas ruins. Ou por quê essas lembranças doem tanto.
Hoje vindo pra escola eu vi uma pessoa que me fez muito feliz, mas eu me senti triste porque a amei demais... E daí as lembranças surgiram na minha mente. Coisas magnificas que fiz com ela, coisas que nem tem como esquecer, ou tentar esquecer porque eu já tentei e não consegui. São músicas, bandas, estilos, vozes, gostos extremamente iguais... Mas depois veio a parte triste... E a música, a banda, o estilo e a voz que tocava no momento não contribuiu muito.
Eu sei que temos que tirar bom proveito dessas coisas, mas quando algo que um dia foi bom e que agora é ruim vem à tona não é fácil segurar. Eu queria ser mais forte pra suportar essas coisas, suportar ver essa mesma história se repetir com outra pessoa que eu julgava ser diferente... Mas eu não sou, e por isso acabo chorando e fazendo posts emotivos demais como esse.
Eu quero abrir os olhos e não ver mais essas coisas que me deixam tão mal. Quero abrir os olhos e sorrir, mas em vez do sorriso a lágrima está lá... Odeio lembrar de coisas ruins. Não iria ser perfeito se só lembrássemos das coisas boas e abríssemos um sorriso com isso?

I came here with a load
(Eu cheguei aqui com um fardo)
And it feels so much lighter
(E ele parece tão mais leve)
Now I've met you
(Agora que eu te encontrei)
Green Eyes - Coldplay



quarta-feira, 1 de junho de 2011

Montanha Violeta



"Was a long and dark December
From the rooftops I remember
There was snow white snow

Clearly I remember
From the windows they were watching
While we froze down below

When the future's architectured
By a carnival of idiots on show
You'd better lie low

If you love me
Won't you let me know?

Was a long and dark December
When the banks became cathedrals
And the fox became God

Priests clutched onto bibles
Hollowed out to fit their rifles
And a cross held aloft

Bury me in armour
When I'm dead and hit the ground
My nerves are poles that unfroze

And If you love me
Won't you let me know?

I don't want to be a soldier
With the captain of some sinking ship
With stow, far below

So if you love me
Why'd you let me go?

I took my love down to violet hill
There we sat in snow
All that time she was silent still
Said if you love me won't you let me know? 
If you love me won't you let me know?"