sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Em Suas Mãos


                Lembra quando eu te entreguei meu coração? Algumas semanas cuidando dele, fazendo-o palpitar tão forte e você simplesmente o devolveu, somente dizendo que não poderia me fazer feliz, dizendo que quanto mais a gente se entregava, mais complicado o sentimento ficava. E eu não compreendi. Tudo estava indo maravilhosamente bem... Mesmo longe me fazias dar sorrisos bobos e pensar em nós como dois adolescentes perdidamente apaixonados. Então num passe de mágica, coisa pequena e insignificante, você devolveu o que me deixava mais feliz: ter meu coração em suas mãos. Mas quer saber? Eu te dou ele novamente. Não me importo se no futuro você o destroçará com palavras, com gestos, com sumiços, realmente não me importo. Só volte pra mim e me faça feliz. Cumpra aquilo que me prometeu, por favor. Você não tem noção de como é importante pra mim...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Dois


"Como dois estranhos, cada um na sua estrada, 
nos deparamos, numa esquina, num lugar comum. 
E aí? Quais são seus planos? 
Eu até que tenho vários. 
Se me acompanhar, no caminho eu posso te contar." 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Porque Gosto Dela


Um leitor de meu blog pediu-me para postar esse texto. Quando o li, fiquei com lágrimas nos olhos. São sentimentos profundos e ao mesmo tempo complicados. Sentimentos que poucas pessoas compreendem... Espero que gostem.


Ela sempre foi diferente, se distinguindo de milhares de garotas nessa multidão. Me caiu feito luva, me ganhando de todas as formas possíveis. Creio que, na época, havia a sutil sensação de minha parte em achar que eu estava sendo esnobado ou simplesmente usado. Ela sempre teve aquele ar superior, rindo no momento certo e se fechando na maioria deles. Até mesmo por proteção, voltando para a armadura que ela mantinha para si. Acho que é por isso que eu gosto dela, porque sempre me pareceu diferente, do jeito que o mundo julga “sem graça, sem sal e fria”, mas eu tive a honrosa oportunidade de desbravar seu coração e enxergar bem mais fundo. Eu sempre prestei atenção nela, sempre stalkeei, e sinto ciúmes mesmo neste segundo que aqui vos escrevo. Eu gosto dela de uma maneira que minhas palavras já não mais podem expressar, nem mesmo insinuar. Chegava a ser desesperador, mas agora crescemos (acredito que ela bem mais do que eu) e os sentimentos que antes nos afogavam ainda continuam a atormentar, mas não infringindo a mesma dor alucinante. É. Eu gosto dela. Poderia citar mil motivos. Seus gostos pelas músicas, pela leitura e pelas frases bem montadas e de profundo cunho reflexivo. Gosto de sua pele clara e o modo como ela me soa aveludada, sem nem mesmo nunca tê-la tocado; gosto dos olhos que por vezes me fazem perder a linha diante das fotos; gosto dos cabelos e a rápida frequência com que ela modificava suas tonalidades; gosto de sua voz, o quanto soa infantil em plenos dezenove anos. Gosto do seu nome, e da coincidência repetitiva das iniciais: C.C. Eu gosto dela, acima de tudo, não pelo lado de fora – que me soa vislumbrante e indescritivelmente encantador -, e sim pelo que é por dentro, nesse intenso oceano de dúvidas e irregularidades. Gosto do que ela me faz sentir, gosto de como eu faria tudo apenas para vê-la sorrir, porque é isso o que importa. Gosto dessa sensação de altruísmo. Gosto da ideia de me prender a ela como se fosse a última mulher na face da Terra. Gosto das coisas que faria por ela, mesmo que o preço a pagar fosse a minha infelicidade e solidão. Gosto tanto dela que a palavra “gostar” chega a menosprezar o real sentimento. Gosto tanto, mas tanto, que a definição certa seria “amor”.

domingo, 25 de novembro de 2012

Do You Love Me Still?


I have thought that you have come back lately
Yo take my soul away from me
'Cause when I see you
You rip my heart out
But all the same you're not to blame
Baby, baby, I love you still
I need your heart beating next to my heart
In love I am...

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Não consegui dormir


Não consegui dormir. Levantei da cama devagar, me desvencilhando dos braços dele para não acordá-lo. Peguei o celular que estava em cima do criado-mudo e fui até o banheiro. 4h47 da madrugada. Lavei o rosto e olhei fixamente para meu reflexo no espelho. Suspirei e voltei para o quarto. Observei o corpo seminu na cama, dormindo profundamente e dei um leve sorriso. Eu amava aquele homem de maneira intensa, igual as personagens idiotas dos livros que vez ou outra eu lia. Puxei uma cadeira para mais próximo da cama e sentei, olhando-o. O que existia era magnifico, mas sabíamos que aquilo duraria pouquíssimo tempo. Algumas imagens surgiram em minha mente. A primeira vez que nos encontramos e ele, meio tímido, depositou um leve beijo em meus lábios. Nossos sorrisos tão grandes, a felicidade exalando algum cheiro que tirou a atenção de todos. O momento em que entramos em sua casa e, longe da visão do mundo, ele me agarrou meio desesperado e me beijou intensamente. Não conseguimos dormir e ficamos acordados a noite toda conversando e aproveitando o tempo perdido...
Estava com lágrimas nos olhos. Não eram lembranças distantes e eu sabia que dentro de poucos dias todo o namoro adolescente, todo o desejo de se estar perto, todas as conversas que duravam horas e todos os beijos roubados no meio ou no fim de cada conversa se tornariam mais lembranças. Uma lágrima escorreu por meu rosto. Abandonei a cadeira e voltei para a cama. Vagarosamente me aconcheguei perto dele, fazendo-o acordar sem querer. Ele me olhou e deu um sorriso sonolento, puxando-me para mais perto. Senti sua respiração em minha testa e ele depositou um leve beijo nela. Pus a cabeça em seu peito e afastei da memória os pensamentos de antes. E me concentrei nele e no calor que sentia ao estar ao seu lado, ao sentir seu toque. Apaguei antes de me lembrar do dia em que nos conhecemos e das palavras que ele guardou para mim... “Teremos uma história muito feliz...”. Sim, nós temos.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Repetir


Chovia forte. Minha calça já estava encharcada, minha meia afogada dentro do All Star, a camisa colada no corpo. Não liguei para esses detalhes, continuei seguindo meu caminho. O som do piano saindo dos fones e entrando em meus ouvidos e meus lábios se mexendo numa cantoria muda, falando cada palavra, cada letra que formava a música. Alguém passou por mim, esbarrando em meu ombro. A dor e a falta de um pedido de desculpas não tirou a atenção do meu caminho. A música se repetiu, trazendo uma enxurrada de lembranças. Junto da chuva, minhas lágrimas iam embora. Continuei andando, as pessoas me olhando de maneira estranha como se o fato de andar sem algo para me proteger da água que caia sem dó do céu fosse inimaginável. Eles não me conheciam e eu não devia satisfações a ninguém. O asfalto deu lugar a areia. Arranquei o sapato de meus pés e senti os grãos molhados entre meus dedos. Dei um sorriso triste. E a música repetiu mais uma vez. Olhei para as ondas que quebravam na praia, a chuva começando a ir embora. Joguei a mochila no chão, não sem antes tirar de dentro dela uma caixa onde guardava as melhores e mais tristes lembranças da minha vida. Voltei a andar, indo direto para a água. Estava morna. Caminhei até onde ela pairasse em minha cintura e então abri a caixa. Papéis, desenhos, objetos que guardava a sete chaves, longe da visão de todos, coisas de uma vida toda que sumiriam em poucos momentos. As lagrimas voltaram mais forte e num acesso de fúria, atirei a caixa longe, tudo se espalhando na água salobra. Mais uma repetição da música. Coloquei a mão em meu rosto tentando conter as lágrimas e sem pensar duas vezes, virei em direção a praia e caminhei. Sentei na areia vendo lembranças preciosas desaparecerem no horizonte. Agarrei minha mochila e soltei um grito contido. Respirei fundo tentando me acalmar de toda aquela fúria misturada à tristeza. Levantei quando a chuva retornou forte. Voltei a andar. A areia deu lugar ao asfalto. E a música repetiu-se novamente.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Amanhã...


Amanhã quero que amanheça nublado, que o vento gelado bagunce meu cabelo e que caia uma chuva fina. Que os guarda-chuvas pretos dominem na rua, fazendo com que o dia se torne melancólico. Que eu vista alguma calça, tênis e um casaco que antes era dele, me protegendo do frio e sentindo o cheiro do perfume que eu tanto amava. Que eu vá pra universidade ouvindo Los Hermanos e que o ônibus esteja vazio, assim eu abro a janela e sinto o vento molhado no rosto. Que quando eu voltar pra casa ainda esteja chovendo, mas que esteja mais forte e que eu desista do meu guarda-chuva, deixando as gotas d’água lavarem todo o meu corpo. Que eu pule nas poças ao som de Tiê e sorria como uma criança brincando na chuva pela primeira vez. Que amanhã eu esqueça que ele existe, que por um mísero segundo meu sorriso não seja falso. Que amanhã seja outro dia... Que amanhã o dia comece nublado, com uma fina chuva deixando a cidade melancólica...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Chuva de lembranças


Ela segurou a xícara com as duas mãos, o calor aquecendo os dedos gelados. Olhou para a janela e viu as gotas sumindo rapidamente. E as lembranças vieram como numa enxurrada. O primeiro beijo que os fez rir por causa do nervosismo que sentiam, e todos os outros que vieram depois, todos os beijos calmos e os desesperados, todas as vezes que ela o mordia, fazendo com que ele a apertasse cada vez mais contra si. Lembrou-se dos suspiros que soltava sempre que o olhava, suspiros de uma pessoa perdidamente apaixonada.
Voltou a si de repente e sentiu raiva por lembrar daquilo. Tomou um gole do café e correu para a cozinha jogá-lo fora. Estava amargo e frio; horrível. Deixou a xícara na pia e respirou fundo. Andou vagarosamente até a sala e sentou perto da janela. A chuva ainda estava forte e as gotas na janela continuavam a sumir rapidamente. Mais lembranças de um passado pouco distante retornaram, vividas. O dia em que saíram para andar de patins e ele, sem pratica há muitos anos, caiu como uma criança, fazendo-os dar muitas gargalhadas. Lembrou quando viajaram de carro numa madrugada, sem avisar ninguém. Foram até uma praia quase deserta, brincaram como crianças jogando água um no outro e a noite, quando o vento gelado começou passar por eles, se abraçaram e se beijaram como dois amantes desesperados pelo calor. Passaram a noite acordados, conversando no carro sobre como as estrelas e a lua estavam bonitas, e ele dizendo como ela era bonita...
Percebeu que chorava. Sentia falta daqueles momentos e sentia falta dele em sua vida, da confiança que emanava para ela. E somente queria esquecer...

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Acordar


Hoje eu acordei necessitando de seu toque, com vontade de sentir tuas mãos acariciando meu rosto. Acordei querendo dizer o quanto preciso com urgência ver seu rosto ficando vermelho por causa de algo que falei, por causa do meu primeiro “eu te amo”. Que necessito de você sério quando os beijos ficarem desesperados. Que quero te encher com meu amor, até você não aguentar mais.
            Acordei e vi que não estavas ao meu lado. Vi que não me abraçava como todas as manhãs. Acordei sem teu sorriso matinal, sem o toque macio de sua pele, sem teus olhos grudados em mim. Acordei sem a sensação de ter inúmeros desenhos invisíveis espalhados pelo meu corpo, sem os arrepios que os leves beijos que depositavas todas as manhãs em meu pescoço me proporcionavam. Acordei sem o calor que seu abraço me fazia sentir.
Acordei e vi que tudo não passava de um sonho, uma mera imaginação. Acordei e vi que tudo o que eu sempre quis foi você dormindo ao meu lado. Hoje eu acordei e vi que você não existe na minha vida.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Se...


"Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão."
Verônica Heiss

domingo, 14 de outubro de 2012

Máscaras


                A pior expressão de se representar no teatro é a de felicidade. Dar um sorriso sem mostrar falsidade é algo complicado e só quem é bom no que faz, consegue evoluir. No meu rosto sempre existe um sorriso, eu sempre aparento estar feliz. A máscara teatral da felicidade raramente cai, mas é difícil mantê-la sempre, de tempos em tempos fico num estado de torpor que ninguém além de mim enxerga, porque eu só deixo isso acontecer a noite, no meio do escuro, onde a visão é limitada. Somente minha cama e meu travesseiro, companheiros de longa data, conhecem esse meu lado, porque eles são os únicos que merecem, os únicos que me aturam calados, sem tentar me atrapalhar ou ajudar, eles só estão lá para o que der e vier. Mas as vezes a felicidade não é somente uma mascara, ela está presente na mais linda forma; ela existe dentro de mim. Momentos, lembranças, palavras fazem com que acabe dando um sorriso sincero e verdadeiro, um sorriso envergonhado e raro. O sorriso que estou guardando para você. Enquanto espero, a máscara ainda existe presa, fixa, aguardando o dia de cair completamente e se despedaçar no chão.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Chuva de lágrimas


Fantasmas antigos retornaram ontem à noite. Fantasmas que venho lutando a anos, ignorando-os por completo. Não consegui contê-los, eles foram mais fortes do que eu. E novamente caí em prantos, como uma misera criança. A pose de macho alfa caindo e mostrando a mulher frágil que existe, que sempre existiu escondida de tudo e de todos. Mas ontem não. Ontem minha máscara caiu, mas ninguém além de mim a enxergou. Prender a dor só piorou ainda mais a situação, não conseguia pensar com tanta coisa atolada em minha cabeça. E tudo por causa de gestos, de gostos, de música... Mas as lágrimas ainda persistem como numa chuva torrencial, me engolindo inteiramente, sem dó nem piedade. Elas não querem parar...
Você virou um fantasma que ainda me persegue. E eu te odeio por isso.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Âmbar - Capítulo 7

Segundo presente da Luana Mayra, atrasado mas chegou Q



Desejei que o dia em que o conheci nunca tivesse existido. Porque aquele maldito momento desencadeou toda uma maldita perseguição. Como se não bastasse Felipe estar nas aulas de teatro, também estava nas de canto e xadrez. E como aquele filho da mãe mesquinho sabia das minhas aulas extracurriculares ainda era um mistério que iria adorar descobrir. O pior de tudo era que eu não queria largar nenhum dos três: o teatro e o canto eram minhas paixões e não mereciam ser abandonados por causa dele; já o xadrez era um hobby que me deixava ocupada aos sábados pela manhã.
Só que, com o tempo, aprendi a conviver com sua indesejável presença em quase todos os lugares, às vezes nossas discussões eram inevitáveis, mas o melhor de tudo foi notar que meu ódio por ele conseguia substituir a saudade que sentia de Thiago.

Todos, tanto na escola, quanto nos cursos, já sabiam que Felipe e eu não nos dávamos bem. Durante as aulas, sempre que o professor fazia uma pergunta, trocávamos farpas. Principalmente quando um de nós respondia errado. Percebi que Felipe era um garoto muito inteligente, o que me motivou a desafiá-lo no xadrez. O desgraçado aceitou com uma condição: cada peça importante perdida valeria uma pergunta que deveria ser respondida sem mentiras. Nada mais justo, afinal, tinha algumas perguntas que precisava saber a resposta.
No sábado esperamos que a aula oficialmente terminasse para começarmos nosso jogo. Não havia mais ninguém na sala e eu, pelo menos, já estava afoita. Em silêncio, ajeitamos nossas peças no tabuleiro e comecei por estar com as brancas. Nossos peões quase foram extintos. Então ele levou meu primeiro cavalo.
-Parece que esse jogo vai ser emocionante. - disse com um sorriso. - Quem te deu essa pedra de âmbar? - perguntou sem rodeios, como se estivesse preparado há tempos para perguntar-me.
-Um amigo. - respondi curta.
-Qual o nome?
-Uma pergunta para cada peça. - disse com um sorriso irônico, fazendo minha próxima jogada. Levantei os olhos do tabuleiro e vi que Felipe tinha o olhar fixo em mim. A próxima peça a sumir foi dele. - Por que você anda me perseguindo? - disparei.
-Pode não parecer Diana, mas você tem um “quê” de mistério. Essa sua carinha inocente... Gosto de pessoas assim. - respondeu.
O jogo foi rolando até que estávamos chegando ao fim, exaustos. Felipe soube manipular suas perguntas, fazendo-me responder por que bebera até ficar porre, ou seja, contando-lhe a história de Thiago, descobrindo instantaneamente a pessoa que me dera a pedra de âmbar. De quebra, descobri que ele era novo na cidade e que seu novo hobby era me perturbar. Ele tinha prazer em fazer isso. Faltava somente uma peça para ele descobrir o por quê de o odiar -a cor dos olhos- quando eu lhe dei um xeque sem escapatória.
-Parabéns, você ganhou o jogo. - disse, relaxando na cadeira.
-Não Felipe, ainda não ganhei o jogo. - disse com firmeza. - Você arranjou uma inimiga que não conhece direito. Essas perguntas feitas não respondem nem metade de quem eu sou. Podes me perseguir na escola, nos cursos, em qualquer lugar, que ainda vais ser o cara mais insuportável do mundo. Suas justificativas de porque me persegues não me servem de nada. - e eu sorri por ver o jeito sério como ele me olhava. - Xeque-mate, Felipe. - movi minha Rainha, derrubando seu precioso Rei. - Este é apenas o fim do começo. - e levantei saindo da sala e deixando-o para trás.

Fiquei extremamente feliz com a cara que Felipe fez ouvindo minha raiva emanar através de palavras calmas. Passei todo o meu final de semana alegre comigo mesma que até meus pais estranharam. Eu merecia aquele sentimento depois de meses de melancolia. Contudo a maior alegria que senti, foi chegar segunda-feira, na sala de aula, e ver Felipe sem aquele sorriso de sempre, me olhando com certa duvida. Fio minha vez de sorrir para ele com muita ironia. Laura percebeu que algo estava acontecendo e imediatamente indagou.
-Nós tivemos uma pequena conversa. - respondi sendo vaga, deixando-a completamente curiosa. Se bem que, acho que essa conversa mais pareceu um monólogo.  Risos para mim.

A aula de teatro que dei ao primeiro ano foi tão boa que todo me elogiaram ao final, até mesmo Felipe. E como sempre, ele foi o último a ir embora. Eu estava no outro extremo da sala quando ele começou a falar.
-Me perdoe pelo jeito que venho lhe tratando, mas é que eu sempre trato as pessoas assim.
(Felipe pedindo desculpa? Espera, repete!) Continuei calada, arrumando minhas coisas. Era melhor ignorar.
-Diana. - me chamou e instantaneamente o olhei. Não consigo ignorar as pessoas por muito tempo, droga. - Sabe, eu amo a cor do seu cabelo. - e sorriu, só que foi um sorriso normal, me deixando meio desconcertada. Ele começou a se aproximar de mim e cometi o erro de tentar me afastar, o que fez com que me prendesse contra a parede mais uma vez, a sensação de deja-vu pairando. - Você é linda. - murmurou, a respiração entrecortada. A coisa estava ficando estranha e eu, morrendo de medo. Como se isso não pudesse ficar pior, Felipe se aproximou tentando me dar um beijo. Eu me mexi desconfortável e levantei a mão para dar um tapa naquela linda face cínica, só que ele segurou meus braços contra a parede. Naquele momento eu já estava pálida de nervosismo. Com os braços atados, tentei dar-lhe um chute entre as pernas e, não sei como, ele conseguiu prender-me completamente. Eu estava totalmente ferrada.
-Idiota! - disse com raiva.
-Amo quando você fica assim... - murmurou, beijando-me. Que vontade de enchê-lo de socos! Mas ao mesmo tempo... - Anda Diana, eu sei que você também quer... Abra a boca. - sussurrou em meu ouvido e voltou a minha boca, dando leves beijos em meu pescoço e no contorno de meu queixo. Felipe tinha razão: eu queria e muito, sem falar que estava com tanta vontade de agarrá-lo, que toda a raiva tinha ido embora. Ele tinha boa presença, sem contar no fato de estar a meses sem ficar com ninguém. - O que vai ser, Diana? - perguntou antes de me beijar de novo. Era tudo ou nada. E eu correspondi o beijo, fazendo com que Felipe me soltasse, para agarrar-me em seu pescoço logo em seguida.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Âmbar - Capítulo 6

Presente de aniversário para Luana Mayra ~♥



Passei o domingo inteiro na cama. Não quis sair, tomar banho ou até mesmo comer. Meus pais não paravam de entrar e sair de meu quarto, o que me irritou a ponto de trancar a porta e gritar para que me deixassem em paz. Eu nunca em minha vida gritara ou desobedecera meus pais, mas naquele momento queria um pouco de privicidade para ficar sozinha com meus pensamentos.
Não compreendia como Thiago pudera ser tão cruel em suas palavras. Estava chateada com tudo e principalmente por ele não ter nem ao menos dito uma palavra de carinho. Por que ele mudara seu jeito martelava minha cabeça. É outra garota, dizia uma voz, enquanto eu negava com palavras como se estivesse conversando com alguém em meu quarto. Para completar, minha dor de cabeça estava mais forte e eu sentia que a qualquer momento eu iria explodir. Fui ao banheiro e peguei dois comprimidos para enxaqueca. Lavei o rosto e respirei fundo, tentando estabilizar-me. Voltei para a cama e esperei o remédio fazer efeito. Dormi até o dia seguinte.

Acordei na segunda envergonhada. Não podia mais deixar que Thiago me abalasse daquele jeito. Se era isso o que ele queria, já estava feito.
Levantei da cama, tomei banho e me arrumei para a escola. Na mesa de café, dei um beijo em meus pais e pedi-lhes desculpa pelo meu jeito melancólico. Acho que deixei os dois meio pasmos com minha mudança de humor. Já na escola, quando entrei na sala, avistei Felipe e andei em sua direção. De repente eu ouvi o silêncio. Provavelmente todos já sabiam o quanto eu não ia com a cara dele ou o que havia acontecido.
-Felipe, quero te pedir desculpas por te deixar preocupado na sábado, mas saiba que esse pedido não muda o ódio que sinto. - disse, e sem esperar resposta, me afastei. Todos na sala me olhavam. Sentei ao lado de Laura, que me olhava meio assustada.
-O que foi isso? - perguntou-me.
-Um pedido de desculpas que não muda os fatos. - respondi com um sorriso. Arrumei-me na carteira e olhei para a direção da mesa de Felipe, que estava com os olhos grudados em mim, sua expressão séria e confusa. Fio minha vez de dar um sorriso irônico. Pus os olhos em meu livro e esqueci-me do que havia acontecido.

Segunda era dia de dar aula aos novatos do teatro e estava tão animada com isso, que cheguei meia hora antes do começo. Meu professor me deu dicas de como proceder com as aulas iniciais e pediu para ter calma e pulso firme. A aula começou e me senti extremamente feliz por perceber que levava jeito pra ensinar a linda arte da dramatização.
No meio da aula a porta se abriu e um garoto alto entrou. Apesar da pouca iluminação, percebi que era Felipe que me olhava da entrada. Disse para a turma continuar e não perder o foco quando algum idiota chegasse atrasado. Ouvi alguns risos abafados e fui em sua direção.
-Você está muito atrasado. - disse, tentando ser profissional. - Alongue-se para entrar no grupo e tire pulseiras e anéis. Na próxima você não assiste aula. - falei ríspida. Pulso firme, oras.
Apesar do senhor atrazildo, tudo correu super bem. Eu senti que os alunos saíram com a cabeça mais leve depois da aula, assim como eu sempre saia. Aquele sentimento era maravilhoso. Aos poucos, as pessoas se despediram. Menos Felipe.
-Parabéns, sua aula foi boa. - disse com aquele sorriso de sempre.
-Boa? - perguntei com um riso. - OkQ obrigada pelo elogio. - sinceramente, às vezes eu amava o meu sarcasmo.
Felipe deu um sorriso ainda mais irônico, se isso era possível, e me olhou. Eu odiava os olhos dele e o poder que tinham sobre mim. Vagarosamente ele foi se aproximando.
-Você se acha demais garota. - soltou, sem parar de andar. - Chega com a maior cara de santa, pede desculpas na frente de todos e age como se o mundo fosse seu. - fiquei estática com o que ele me disse. Tinha absoluta certeza de que eu não era assim, nem ao menos tinha notado os “outros” de que ele falava. Felipe não parou de andar até me prender contra a parede; aquele sorriso endiabrado em seus lábios.
-Você não me conhece. - contra-ataquei. - É só mais um dos imbecis que acham que sabem tudo sobre mim.
Então ele fez algo que me deixou realmente assustada. De forma lenta passou os dedos por meu pescoço até pegar o cordão que estava pendurado, puxando-o para revelar a pequena pedra de âmbar escondida em minha camisa.
-Eu vi isso quando te carreguei para o carro. Sempre me perguntei o que era esse volume debaixo de sua blusa e agora já sei. - minhas pernas tremeram. Ele me olhava de cima como se fosse superior em toda a sua altura, os olhos brilhando com a rara luz da sala, igual meu pequeno pingente que segurava nas mãos. - Deve ser de alguém especial para escondê-lo da vista de todos, Diana. Mas o que acontece se eu tirá-lo de você? - perguntou debochado. Toda raiva que já havia sentido dele não chegava nem a um décimo do que senti naquele momento.
-Eu te mato. - ameacei entredentes. Sentia que se ele realmente arrancasse aquele pingente de mim teria forças o suficiente para mata-lo. Ficamos um tempo em silêncio, ele com o sorriso e eu bufando. Até que o professor entrou na sala e perguntou o que estava acontecendo. Felipe tornou a me olhar, largando o cordão e passando gentilmente os dedos por minha bochecha. Murmurou um até logo e saiu da sala. Quase despenquei no chão. Eu usara todas as minhas forças para mantes a raiva que eu sentia e só não saí porque o professor me ajudou a sentar em uma cadeira, me trazendo água.
- Foi tão exaustiva a primeira aula? - perguntou rindo, depois que eu já estava melhor. Dei um sorriso e logo começamos a rir juntos.
-Certas pessoas são a bosta em pessoa. - respondi. - Aquele cara é um exemplo disso.
-Quer que eu cancele a matricula dele? - perguntou preocupado.
-Não, não precisa. - respondi sorrindo. - Eu sei tirar as bostas do meio do caminho.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Âmbar - Capítulo 5


Meus dias na escola seguiram de maneira tensa por causa da inútil presença de Felipe. O garoto era tão irritante que sua simples aparição deixava todos os pelos de meu braço eriçados e eu odiava quando alguém conseguia fazer isso comigo. Tirando este pesaroso fato, começava a me animar com minhas aulas extracurriculares estarem prestes a começar, sem contar que seria monitora do professor de teatro. Dar aulas para os iniciantes seria magnifico e ocuparia minha mente por mais de uma hora. Além, é claro, das aulas de teatro, de piano e canto que faria durante a semana. Eu precisava de bastante ocupação para Thiago virar uma lembrança quase esquecida. Me sentia traída e magoada por ele me ignorar desde quando fora embora, tanto que pensamentos mirabolantes passavam pela minha cabeça; que tudo era mentira, que ele conhecera outra pessoa, que resolvera me esquecer definitivamente... E se realmente era isso que ele estava fazendo, eu faria o mesmo. Ou pelo menos tentaria.

Quase um mês depois, em um final de semana, Laura me chamou para ir ao cinema. Uns amigos que não falava desde a ida de Thiago também apareceram e fiquei extremamente feliz por poder avacalhar com eles. Sempre que andávamos juntos saía alguma besteira. Nossa sessão no cinema foi regada a muitas chacotas com os personagens e atores do filme e também muitas reclamações das outras pessoas mandando-nos calar a boca. Obvio que não calamos. Eu amava estar no meio deles, pois me faziam rir até ficar com as bochechas e a barriga doendo. Chegava a me sentir viva perto deles.
Saímos do cinema e fomos comer. Mais avacalhação. Até que os meninos me chamaram para sair com eles, o que deixou Laura um pouco desconfortável. Ela me puxou para o banheiro e suspirou:
-Não vá.
-Por que não iria? - perguntei curiosa. - Eles são amigos e você os conhece.
-Diana, eles vão pra praia beber e você sabe a merda que sempre acontece. - falou temerosa. Sim, eu realmente sabia que eles sempre abusavam do álcool, mas naquele momento não ligava para isso.
-Eu vou com eles, Laura. Não adianta nem tentar me prender aqui dentro. - disse convicta, deixando-a sozinha no local.
Fui de encontro aos meninos e, logo após a coleta para pagar a comida, seguimos para a praia. Liguei para meus pais e disse que ia passar a noite na casa de Laura, além de que provavelmente voltaria no dia seguinte. Odiava mentir para eles, mas eu queria ir pra farra. Eu precisava.
Já tinha anoitecido quando chegamos lá. Mike, um de nossos amigos, havia comprado grades de cerveja e enquanto procurávamos galhos secos para a fogueira, ele as colocava no gelo. Acho que não preciso mencionar que era a única mulher naquele grupo. Começamos a beber e conversar, com a música do carro de Mike rolando um pouco alta. Eu estava bem animada e bebia uma garrafa atrás da outra, conversando sobre mulheres com eles. Na quarta já estava bêbada. Isso porque Thiago nunca me deixava beber quando saíamos com os meninos, então meu metabolismo era fraco demais. Uma hora tentei me levantar e, tonta, quase caí para trás. Alguém me amparou e todos riram daquela cena, inclusive eu.
-Ok mano, eu consigo andar sozinha. - falei completamente porre. E qual foi minha surpresa quando vi que era Felipe quem me segurava. Soltei um palavrão tão alto que todos os garotos ficaram em silêncio para logo depois caírem na gargalhada. O fato de nunca falar palavrão deve tê-los assustado.
-Aí galera, trouxe mais uma grade. - Felipe disse após me soltar, entregando a grade para Mike.
-Quem convidou ele? - perguntei com a voz arrastada depois de conseguir raciocinar. Felizmente ninguém respondeu, sendo assim um homicídio a menos no mundo. O vi cumprimentar todo mundo e revoltada, peguei mais uma cerveja e comecei a andar para longe dele. Estava tão mal que quase caí de novo, mas me seguraram pela segunda vez. Felipe, lógico.
-Mano, o que tu queres comigo? - perguntei, a raiva transparecendo em minhas palavras.
-Quantas garrafas já bebeu? - perguntou. Os olhos âmbar brilhando devido as luzes da fogueira.
-Não te interessa. - respondi pausadamente e rindo logo em seguida. - Você é o idiota que nem ao menos merece que eu lhe dirija a palavra.
Felipe deu mais um daqueles sorrisos irônicos e eu fiquei possessa de ódio.
-Por que rindo? Por acaso sou palhaça agora? - perguntei com vontade de me atracar no pescoço, enforcando-o.
-Você deve estar porre desde o primeiro gole. - e riu.
Só Deus sabe como quis arrancar aquele sorriso idiota da boca dele, quebrando todos os dentes. Então para “provar” que eu estava bem, tomei mais da metade da cerveja de uma vez, para logo em seguida jogar a garrafa vazia nele. Com minha visão turva, errei alguns centímetros e ele só ficou me olhando. Com raiva, virei num 180° na tentativa de ir o mais distante possível da presença de bosta dele, mas tropecei no meu próprio pé e caí. Do chão ouvi a risada de Felipe. “Garoto atrevido e insolente” pensei fechando as mão com força. Levantei e fui para cima dele, tentando em vão soca-lo. Ele segurava meus braços sem força e ria de mim.
-Diana, você está terrivelmente bêbada. - disse, como se eu não soubesse disso. Parei de tentar batê-lo e me senti fraca. No momento seguinte, já estava quase desmaiada e nos braços de Felipe, que me carregava de voltar ao grupo. Murmurei que ele me soltasse, mas não fui atendida. Quando percebi, estava sentada no banco de um carro, indo para longe da praia. Murmurei novamente que ele retornasse e fiquei assustada com sua resposta.
-Que droga, Diana! Você tá quase em coma alcoólico e ainda quer fazer mais merda? - gritou e imediatamente despertei. Seus olhos estavam cheios de preocupação e raiva. Parecia que todo o álcool do meu sangue sumira com aquelas duras palavras. Não demorou até que estacionasse e eu percebesse que estava na frente de minha casa. Um silêncio constrangedor pairava. Saí do carro, mas voltei e olhei no fundo dos lindos olhos de Felipe.
-Desculpe. - pedi. E sem esperar resposta, dei as costas e entrei em casa.

Meus pais dormiam profundamente e nem notaram quando andei pela casa, quase derrubando tudo por causa do porre. Me joguei na cama, mas não dormir imediatamente. O jeito como Felipe agiu no carro me deixou muito desconfortável. Como se ele se importasse comigo. “Que se dane” murmurei depois de um tempo pensando naquele idiota. Me revirei na cama e dormi como pedra.

Longe, comecei a ouvir um barulho parecido com o de uma sirene. Minha cabeça zumbia com força extrema e eu só queria continuar a dormir. O barulho ficou cada mais alto e claro e percebi que era meu celular que tocava, então levantei a procura do aparelho. Minha cabeça doeu muito com esse ato. Estava de ressaca, que legal! Encontrei o telefone no bolso da calça e sem enxergar nada, atendi.
-Que merda você fez Diana? - a voz do outro lado da linha quase gritou. Lágrimas brotaram de meus olhos quando percebi que era Thiago.
-Que bom que você me ligou. - disse feliz. - Estou sentindo tanto a sua falta Thiago... Te amo tanto...
-Diana, - sua voz ainda era dura, fazendo com que toda a minha felicidade de esvaísse. - por que você bebeu ontem? Ficou louca por um acaso?
-Thiago, meu amor, não foi nada. Saí com nossos amigos e bebi um pouco. Mas como você está? Há tanto tempo que tento falar contigo...
-Para de mudar de assunto! - exclamou irritado, me deixando muito assustada. - Eu te falei milhares de vezes pra não beber com eles, porque esses desgraçados vão deixando pelo caminho as pessoas que desmaiam. Ainda me contaram que se não tivesse um cara sóbrio, provavelmente você ainda estaria na praia, isso se não fosse sequestrada por algum maluco. - ficamos calados por um tempo. Fiquei pasma pela sua raiva e pelo fato dele saber o que me acontecia. Quando ele tornou a falar, sua voz estava mais branda.
-Não inventa de fazer mais merda Diana, por favor...
-Eu prometo. - respondi depois de certo tempo. - Não farei isso de novo.
-Assim espero. - E desligou, me deixando completamente sem ação.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Olhos Fechados


Ela não quis abrir os olhos. Teve medo por pensar que, ao fazer esse gesto, tudo o que havia enxergado sumisse como as miragens do deserto. Manteve-se assim por vários minutos, até que sentiu o toque leve em seu rosto, e ela sabia que toda a reação de seu corpo, o arrepio de todos os seus pelos, o calafrio gostoso passando por sua espinha, era algo que desejava a tempos.
-Por que você não abre os olhos? - perguntou, a voz grave entrando como uma doce melodia em seus ouvidos. Ela continuou calada e sentiu a ponta dos dedos dele passearem lentamente pelos seus olhos. - Eu estou aqui e prometo que não vou embora. - sussurrou, a voz na base de seu ouvido. Toda a reação do corpo pequeno e frágil se intensificou e, lentamente, resolveu abrir os olhos. A visão do rosto dele foi esplendorosa. Ele a desejava de forma demasiada e seu olhar o condenava. Seu grande pecado... Naquele momento ela percebeu que nascera para ele e que nada poderia mudar o destino que lhe fora traçado antes mesmo de chegar ao mundo. Devagar, levantou a mão e tocou no rosto do amado, ainda sem acreditar que finalmente estava realizando vontades ocultas de longos anos. Ela mordeu o lábio inferior e o levou a loucura. Sem se aguentar mais, ele segurou-lhe pela nuca, puxando um pouco os fios soltos e roubou um beijo da boca que tanto cobiçara. Suas línguas se entrelaçando num doce ritmo desesperado. E, de repente, chegaram ao céu...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Florence Welch B-Day


Ela entrou em minha vida por causa de sua voz magnifica. Não havia como não me apaixonar. Vasculhei toda a internet a procura de informações, a procura de suas músicas divinas e estonteantes. Quando dei por mim, já a chamava de "Minha Diva", coisa que sempre achei estúpida, até conhecer o seu trabalho. Seus cabelos ruivos me encantavam e me deixavam mais e mais apaixonada. Me apaixonei perdidamente por uma mulher, a única que me fez chorar com suas doces melodias, a única que me faz cantar suas músicas sem ligar para o que os outros irão falar. Ela é a mulher do sorriso perfeito, que faz meu coração disparar dentro do peito. E hoje ela completa 26 anos de vida... Oh Florence, ainda tem muita coisa pela frente, muita música para me agraciar. E eu aqui no meu singelo mundo só posso desejar um magnifico parabéns à você


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Dia Ruim


Fazia tempo que não me sentia desse jeito, como se meu coração tivesse sido arrancado do peito, pisoteado e colocado no lugar como se nada tivesse acontecido. E não havia motivos para estar assim, era só uma vã tentativa de algo que poderia se transformar, mas estou me sentindo péssima desde que saí de lá. Realmente não levo jeito pra coisa. Se levasse, tudo ia ser uma mera brincadeira que nem da última -e primeira, diga-se de passagem- vez. Mas hoje eu quis levar um pouco a sério e a coisa não deu certo como deveria dar. Como nos meus sonhos se demonstrou dar certo. Só que hoje o dia já não começou tão bem, então era meio lógico que meus planos iriam por água abaixo. É, tenho que me acostumar, apesar de ainda doer...

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Carta



Belém, 16 de agosto de 2012

Querido,
Ainda tenho pensado em você. Sei que não fui a melhor pessoa do mundo após tudo o que disse, mas estou tentando melhorar. Não deves conhecer meu histórico amoroso, onde eu só tive um relacionamento sério que não durou tanto tempo, o resto... não existe. Acho que por culpa desse fracasso eu tenha medo de me relacionar com alguém, tenha medo de dizer um verdadeiro “eu te amo”. Talvez seja por isso que me sinto tão mesquinha, ignorante, idiota e suja, porque eu te perdi mais uma vez por não ser forte, por usar das palavras -as quais sei utilizar tão bem- para ferir seu coração. E já fiz isso tantas vezes que me sinto um lixo que não pode nem ao menos ser reciclado. Só posso mais uma vez te pedir perdão por toda a merda que já falei e até entenderei se disser que não irá me perdoar, afinal, sei que mereço isso e mais, muito mais. 
Ainda te amo.                                                   

domingo, 5 de agosto de 2012

Âmbar - Capítulo 4


Ainda permaneci parada no corredor por um tempo com cara de lesa. Não conseguia raciocinar direito e as únicas coisas que pairavam em minha mente eram os olhos do garoto e sua voz falando meu nome. Como me conhecia era um mistério, já que nunca o tinha visto em lugar algum e sabia pelo menos que era novato na escola.
-Diana. - ouvi meu nome e em seguida vi Laura tocando meu braço. Olhei em volta e percebi algumas pessoas me olhando de modo estranho.
-Você o viu? - perguntei, começando a andar com ela ao meu lado, tentando me afastar daquele ambiente.
-Quem? - perguntou ainda sem entender por que eu agia daquele modo.
-Um garoto com olhos idênticos aos de Thiago. - respondi, mais aliviada por ter saído da escola. - Ele disse que se chamava Felipe.
-Ah sim. - respondeu, seu tom de voz me fazendo parar instantaneamente. - Novato e já chamou a atenção de todas as garotas quando entrou na sala, menos de você que nem tirou os olhos do caderno. Mas parece que já o conheceu. - disse sorrindo. E devo mencionar que não gostei nada daquele sorriso.
-Eu abri a porta do meu armário e o acertei em cheio, tanto que o nariz dele ficou sangrando. Ajudei a estancar o sangue e quando ele abriu os olhos fiquei totalmente sem reação. Juro que não sei o que me aconteceu. - disse voltando a andar. Queria somente chegar em casa e me jogar na cama.
-Você sente falta de Thiago, isso é normal. Qualquer coisa que vê, já lembra logo...
-Não! - exclamei interrompendo-a. - Eu tenho certeza, os olhos eram idênticos. Essa cor é inconfundível! - fiquei exaltada nessa hora. Só queria apagar certas características de Thiago de minha memória e do nada surge um garoto com olhos cor de âmbar. Não merecia pior castigo.
-Diana, tente não associar os dois. Felipe é totalmente diferente de Thiago. Ele é idiota, gosta de brincadeiras sem graça; resumindo, é muito atentado. - e riu por descrever um garoto que mal conhecia. - Thiago só sacaneava com os outros quando você aprovava, já Felipe não precisa de autorização. - saber que eles eram diferentes na personalidade já era um alivio.
-Ok... - murmurei me afastando de Laura e mando o caminho de casa. Dormi por pouco mais de dezesseis horas. Ainda não conseguia me adaptar com horários então, ao chegar em casa depois do primeiro dia de aula, só fiz tomar banho, almoçar e correr para o quarto. Minha cama foi tão aconchegante depois de todo o susto, porém demorei a dormir, lembrando dos olhos de Felipe e Thiago, comparando-os mentalmente. Não ia permitir que aquele moleque me perturba-se. Ele sabia meu nome por algum motivo e mais cedo ou mais tarde eu iria acabar descobrindo.

Não queria ir pra escola. O simples fato de encarar Felipe por mais de cinco horas já era motivo mais que suficiente para continuar em casa, mas meus pais não cederam e, contra a minha vontade, tive que ir. Cheguei cedo e acabei sendo a primeira a entrar na sala, pegando imediatamente um livro para me distrair. Nossas mesas eram duplas, então sempre sentava com Thiago e, agora que ele se fora, Laura ficava comigo. Meu susto foi enorme quando alguém sentou ao meu lado, e vi Felipe na maior cara de pau arrumando seus materiais na mesa.
-Oi. - disse-me depois de um tempo. Os olhos grandes e brilhantes me deixando sem palavras. - Tudo bem, Diana? Tive que fazer uma compressa de gelo no nariz ontem, você tem uma força estupenda. - disse sorrindo. Fechei meu livro e fiquei calada olhando-o. Que garoto abusado!
-Como... sabe meu nome? - consegui dizer depois de uns minutos. Dizem que a curiosidade matou o gato, mas ainda queria saber como ele se tornara meu perseguidor.
-Lista de frequência. - respondeu, curto. - Estive te observando ontem.
-Esteve me observando? - consegui perguntar, concentrando toda a minha raiva.
-Sim, - disse sério. - algum problema?
-Problema? - falei rindo. - Imagina! Só um garoto que nunca vi na vida que resolve me perseguir assim, sem mais nem menos, no primeiro dia de aula. Idiota! - e levantei imediatamente, indo sentar no fundo da sala. Realmente consegui ficar com ódio daquele menino. Ao sentar em outra mesa, levantei os olhos e vi que todos na sala me olhavam de maneira estranha e alguns até cochichavam. Olhei para Felipe e ele não desviava os olhos de mim. Um sorriso debochado surgiu em sua boca e tornei a olhar para meu livro, quase explodindo de raiva.

sábado, 4 de agosto de 2012

Tempo


Irei esperar alguns meses antes de tentar falar com você novamente. Aí quem sabe eu tenha um pouco mais de coragem e não sinta o medo que sinto agora. Vou esperar que o tempo passe e cure as mais recentes feridas que lhe proporcionei por ser mesquinha e uma completa idiota. Estou me programando desde já, mas tudo vai depender de quando voltar a falar com você. Tudo vai depender de suas respostas... Tudo vai depender se você ainda me amar como jurou amar desde o começo... Juro que dessa vez irei conter meu medo. Eu quero ver um sorriso nesse seu rosto.


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Salvation


Acreditam que os homens podem ser separados dos animais por sua racionalidade. Outros dizem que é a linguagem, ou o amor romântico, ou os polegares opositores. Viver neste mundo perdido me fez acreditar que há mais que biologia. O que nos torna humanos é a nossa implacável busca, ou desejo de imortalidade. Da busca por uma flor para um jardim à busca por uma teoria que abalará o mundo... Alguns procuram na morte o que não conseguiram vivos. Construindo tumbas elaboradas para proteger suas almas. Enquanto escrevo, imagino se alguém lerá isto. Talvez não. Mas se você ler, tudo que peço... é que lembre de mim.

(Ned Malone. 1x06)
The Lost World

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Passion


A paixão. Ela está presente em todos nós, adormecida, à espera. E, ainda que não seja desejada, que não seja procurada, ela entrará em ebulição, abrirá as suas mandíbulas e uivará. Ela fala conosco. Nos guia. A paixão nos comanda e nós a obedecemos. Que outra escolha temos?

(Angel. 2x17)
Buffy, The Vampire Slayer

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Proibir


Hoje eu me proibi de ver suas fotos. Já não posso mais olhar seu rosto maravilhoso e seus mais lindos sorrisos porque sinto uma terrível nostalgia de algo que não pude viver por completo. Morro de ciúmes de suas amigas, de como elas poder te abraçar e segurar sua mão; de como podem compartilhar certos momentos que deixam sua vida mais bela. Tenho ciúmes dos garotos que podem beijar seus doces lábios e dizer o quanto te amam. Eles não têm noção da sorte que possuem de estar em sua presença. Talvez seja por causa desse ciúme doentio que eu esteja me proibindo de te olhar de novo, ou por causa do que sinto após ver o quanto estás feliz, algo me dizendo dentro do peito que não posso fazer parte de quem você é. Oh Deus! Eu te amo demais garota!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Sorri


Diga que me adora
Deixe o orgulho e venha, porque já
Está na hora, da gente se encontrar e sermos um
Mas não demora, que é pra chama não desencantar
Se esvair no ar, e só restar lembrança...

terça-feira, 17 de julho de 2012

Âmbar - Capítulo 3


Minha noite foi tão linda que era complicado de acreditar que no dia seguinte Thiago iria embora da cidade. E complicado não somente pela beleza de tudo o que nos acontecia, mas também por existirem sentimentos mútuos que nunca iriam se concretizar fisicamente.
Acordei cedo após dormir somente por umas três horas. Passei a noite em claro, rolando de um lado para outro na cama, com a cabeça cheia de pensamentos. Eu não queria que Thiago fosse embora, não depois de toda a revelação e demonstração de amor que fizemos um ao outro no jantar. Nunca pedi nada a ninguém e aquela era a primeira vez que implorava por algo em minha vida e madruguei implorando que ele não partisse, que algo acontecesse. Mas às 7 horas já estava de pé, ainda de pijamas, do lado de fora da minha casa vendo Thiago e seus pais colocarem as malas dentro do carro. Permaneci de braços cruzados segurando as lágrimas que teimavam em cair. Ele esperou os pais entrarem, começou a andar em minha direção e parou em minha frente, respirando fundo. Não trocamos nenhuma palavra nos minutos seguintes e eu comecei a chorar de modo desesperado. Então o abracei forte.
-Eu te amo! – exclamei, beijando-o profundamente. Um beijo regado a lagrimas de despedida, lágrimas que derramei pela primeira vez longe de algum filme romântico idiota. Thiago separou nossas bocas e encostou sua testa na minha.
-Eu também te amo. – disse olhando em meus olhos e depois se afastou, ficando cada vez mais distante de mim. Ele não olhou para trás e, ao entrar no carro, manteve a cabeça baixa, até que o carro sumiu numa curva. Sentei na calçada e chorei como uma criança. Eu o havia perdido e não pude fazer absolutamente nada para impedir isso.

Minhas férias não foram as perfeitas que todo mundo planeja. A maior parte do tempo passei em minha cama ouvindo as músicas depressivas que havia baixado. Thiago não respondia meus e-mails e mensagens, muito menos atendia minhas ligações e aquilo me deixava cada vez pior por não saber o motivo dele me ignorar. Só comia uma vez por dia e os banhos... Bem, devo dizer que pelo fato de só ficar em meu quarto, com o ar-condicionado ligado e sem fazer nada o dia inteiro fizeram com que meus banhos se reduzissem drasticamente. Eu estava péssima.
Certo dia, meu pai foi até meu quarto conversar. Encontrava-me debaixo do lençol com os fones de ouvido. Ele tocou meu pé e vagarosamente eu o olhei, tirei os fones e perguntei o que queria comigo.
-Minha filha, eu e sua mãe estamos preocupados. Você já está há tanto tempo nesse estado , sem comer direito, sem sair com seus amigos... Sabemos que gosta demais do Thiago, mas ficar sem viver porque ele foi embora não é o melhor. – disse segurando minha mão.
-Pai, - respondi tentando sorri, em vão devo mencionar. – eu sei que tudo isso vai passar mas, por enquanto, eu quero ficar aqui, sozinha com essas músicas emotivas. Só por enquanto. – e apertei sua mão. Meu pai respirou fundo e sorriu.
-Tudo bem querida. – e beijou minha testa, saindo de meu quarto.
Outra ocasião, saí do quarto para comer alguma coisa e ouvi meus pais conversando na sala. Minha mão falou que estava preocupada com minha situação e meu pai simplesmente respondeu que eu amava Thiago e que primeiro amor sempre deixa marcas. Eu sentei na escada e esperei eles pararem de falar sobre mim para ir até a cozinha.
Com o tempo eu fui melhorando. Laura, uma amiga, foi até minha casa e me tirou da cama, obrigando-me a ir para a rua conversar e andar. A cidade estava calma e eu pude respirar um pouco de ar puro. Dias antes, sentei na sacada de meu quarto por horas e Laura me viu da rua. Ela disse que me chamou várias vezes e que eu simplesmente a ignorei. Juro que não ouvi ou vi nada. Devia estar com meus fones de ouvido.
Sair de casa me fez bem e depois desse fato, o resto das minhas férias melhorou, apesar de passar boa parte dos meus dias em casa. Eu precisava com urgência que o mês terminasse. Com as aulas, minha mente ficaria ocupada, sem contar nas atividades extras. Sempre fazia muitas coisas, como teatro, canto, piano e até me meti em xadrez após Thiago me arrastar para ele... Que droga!

Depois de quatro semanas que mais pareceram anos, minhas aulas iniciaram. Laura me ajudou bastante na última semana e eu já aparentava estar melhor. Só que a aparência engana até quem não acredita nisso. Eu ainda estava em cacos por dentro...
Meu primeiro dia de aula foi calmo. Apresentação de novos professores, reapresentação dos chatos, pessoas novas na minha sala que nem fiz questão de conhecer. A coisa ia fluir durante o resto do ano e tudo melhoraria. Sempre vi coisas assim em filmes românticos cheios de clichê e todo mundo – ou pelo menos a maioria – ficava feliz no final. Eu não ficaria feliz, mas se poderia chegar a um meio termo, já estava satisfeita com isso.
No fim das aulas fui para o corredor para guardar alguns materiais no armário e estava tão distraída que não percebi quando acertei um garoto no rosto com a porta do armário ao abri-lo. Juro que não sabia que usaria tanta força naquela simples ação. O menino largou os materiais que segurava e pôs a mão no rosto me fazendo entrar em desespero quando vi sangue escorrer de seu nariz.
-Ai meu Deus, ai meu Deus! Me desculpe! – exclamava aflita.
O menino sentou no chão ainda com a mão cobrindo a face e eu a afastei para inclinar sua cabeça e segurar seu nariz, estancando assim o sangue. Depois de um tempo o soltei e perguntei como ele se sentia. Então o garoto abriu os olhos e fiquei totalmente sem reação. Sua íris era idêntica a de Thiago, tanto os contornos quando a cor âmbar que sempre se destacou. Eu via sua boca se mexer contudo não ouvia nenhuma palavra. Entrei em estado de choque.
-Garota, você está bem? – perguntou ao me tocar, o que me fez recobrar os sentidos.
-Sim... – respondi sem a mínima certeza. – Sim, estou. – falei com mais convicção, começando a juntar o material do menino, para logo em seguida ajuda-lo a levantar.
-Tem certeza que você está bem? – perguntou mais uma vez.
-Bem, era o seu nariz que estava sangrando, portanto eu que deveria perguntar. – disse tentando disfarçar meu estado.
Ele sorriu de leve, pegou seus materiais que eu ainda segurava, agradeceu e começou a andar em direção ao banheiro.
-Espere! – falei alto. – Qual seu nome? – perguntei instantaneamente, um provável erro das minhas sinapses. Aquele garoto se virou com um sorriso estampado no rosto e os olhos encantadores.
-Felipe. – respondeu-me. – Sou da sua turma, Diana. – e entrou no banheiro, me deixando total e completamente embasbacada.


segunda-feira, 16 de julho de 2012

Diferenças


Ele tem que ser perfeito em sua imperfeição. Tem que me abraçar sem motivo, me beijar sem malícia e dizer que me ama quando realmente amar. Tem que aparecer na porta de casa e mandar eu me arrumar pra gente sair, e quando perguntar pra onde vai me levar, simplesmente dizer que é surpresa com um lindo sorriso. Me levar no cinema mais antigo da cidade pra ver um filme e depois para jantar. Tem que me arrastar para andar de patins e me fazer dar gargalhadas com suas caras e bocas. Tem que ser sarcástico e ter a cara mais cínica que eu já tenha visto. Tem que gostar de música, ser apaixonado por ela. Tem que gostar de mim com a mesma intensidade que eu goste dele e, principalmente, tem que ser taxado por todos como diferente, assim como eu sou. 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Mea Culpa


Gosto de vocês. É complicado dizer o que sinto, realmente complicado. Mas os dois são especiais, cada um com seus defeitos e qualidades e foi justamente isso que fez com que me interessasse. Só não posso escolher, não consigo. Então não me peçam isso, pelo menos não agora, não aqui. Vamos aproveitar esse momento sem culpa, sem pensar no que poderia acontecer ou não. Porque, como já disse, estou afim dos dois. O verdadeiro problema agora é o que nós vamos fazer?


segunda-feira, 9 de julho de 2012

Ela Mexe Comigo


Sabe qual é o pior de tudo? Saber que ela sempre vai estar lá, mas nunca vou poder tocá-la. Porque antes existia certa distância que era só em quilômetros, hoje já é em palavras. E isso me deixa triste, pois neste exato momento eu poderia estar ao seu lado, somente vendo-a dormir, somente admirando-a em toda a sublime beleza que ela simplesmente é. Agora só posso fazer isso: olhar fotos e ver como cresceu, como está cada dia mais bela, cada dia mais minha garota. Nem comentários eu posso deixar, porque ela saberia que minhas poucas palavras seriam vãs tentativas de expressar tudo o que vejo e que sinto. Porque ela saberia que ainda a amo como há cinco anos atrás...

domingo, 8 de julho de 2012

Certas Verdades Escondidas Debaixo do Tapete


                Já perdoei muita coisa nessas quase duas décadas. Perdoei o soco que levei aos oito anos, os apelidos idiotas de toda uma vida. Perdoei quem me chamou de feia e a falta de criatividade. Perdoei amigas que me trocaram pelo namorado e principalmente as falsas amizades. Perdoei traições de todas as espécies. Perdoei quando um amigo quase irmão disse que a amizade de uma menina que não gostava de mim era melhor que a minha. Perdoei as brincadeiras sem graça. Perdoei quem brincou com meus sentimentos, me iludiu e em seguida me abandonou. Perdoei o primeiro beijo roubado que devia ter sido do “príncipe encantado”. Perdoei ter sido ignorada sem motivo e o fato de não ter ganhado certas coisas que sempre desejei. Perdoei quando as falsas máscaras caíram. Perdoei o garoto que fez com que eu me apaixonasse perdidamente sem nem ao menos perceber... Perdoei o esquecimento de quem eu era, de meu nome, meu rosto. Perdoei mentiras, falta de confiança e muitas, muitas brigas. Perdoei coisas imperdoáveis, mas também pedi perdão. Pedi perdão por ser grossa e egoísta, por socar alguns amigos -e sim, eu já bati em alguns por raiva. Pedi perdão por não conseguir corresponder sentimentos e em muitos casos, por corresponder tarde demais. Pedi perdão por fazer pessoas chorarem com palavras rudes e muitas vezes por agir rudemente. Ainda hoje peço perdão por coisas do passado... Ainda hoje perdoo pessoas que não sabem como agir comigo...

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Violoncello


-Essa música é dedicada a uma pessoa muito especial que se encontra aqui esta noite. Minha música favorita.
Você começou a tocar uma música romântica que não consegui descobrir de imediato. Adorava o jeito que tocavas violoncelo, fechando os olhos e sentindo a música surgir através de seus dedos. Te ver concentrado ao tocar era muito lindo. No refrão, você me olhou e abriu seu maior sorriso. “With or without you” dizia em sua parte principal, e eu me arrepiei ao perceber o que tocavas. Aquela era uma de minhas músicas favoritas e não somente pela linda letra, mas também por causa da melodia perfeita. Seus lábios começaram a se mover e vi que acompanhavas a melodia em tom mudo. “I wait for you”. Comecei a lagrimar e um leve arrepio passou por mim. Estavas tão lindo em sua roupa de gala e com o cabelo todo desgrenhado por ficar mexendo a cabeça com cada nota que tocavas, que eu começava a querer te arrancar dali e te roubar somente para mim. A música terminou e você levantou, curvando-se em agradecimento as palmas que te reverenciavam. Então se aproximou de onde eu estava e enxugou uma lágrima que escorria lenta em meu rosto.
-Foi lindo. – disse sorrindo e chorando ao mesmo tempo. – Foi perfeito.
Você sorriu e segurou minha mão, dando um leve beijo em meus lábios. E eu te segui, extasiada com sua bela declaração.


sábado, 23 de junho de 2012

Âmbar - Capítulo 2


Naquele mês, nós dois não utilizamos somente o domingo como nosso dia especial, mas praticamente todos em que conseguíamos tempo, então meio que deixamos de lado os assuntos da escola. Em seu último dia comigo, fomos de carro até uma trilha que alguns turistas amavam fazer e aproveitamos que o dia estava ensolarado. Acho que não preciso mencionar que era dia de semana e que faltamos a escola sem avisar ninguém com antecedência, mas para nossos pais não chamarem a guarda nacional por acharem que algo tinha nos acontecido, deixamos bilhetes e simplesmente fugimos. A trilha não era difícil e em quase uma hora já havíamos chegado ao pedaço mais lindo da praia inteira, pela água ser bem cristalina e a areia extremamente branca. Passamos a manhã inteira e parte da tarde brincando na água e sentados à sombra de uma árvore, até porque eu não podia tomar muito banho de sol por ser quase transparente. Um dos apelidos que Thiago me deu era justamente sacaneando com a minha cor: “branquela”. Mas o que começou com uma brincadeira estúpida virou uma demonstração de carinho.

Antes de voltarmos para a civilização tivemos mais um daqueles momentos que vez ou outra nos aconteciam. Nosso último banho na praia foi regado a mais um beijo... E eu posso dizer com toda a sinceridade que aquele foi o melhor beijo de toda a minha vida. Ele tinha algo a mais, algo simples mas que me fez querer ficar o resto do dia somente beijando-o. Só que ele me olhou e respirou profundamente, meio como se não tivesse que ter feito aquilo.
-Vamos para casa, ainda tenho uma surpresa para você. – disse com um olhar meio sedutor, me fazendo rir. Então voltamos para a cidade.
No caminho de volta, conversamos sobre coisas triviais tentando afastar ao máximo a sombra do fim, mas houve um momento em que ficamos calados e eu olhava para a paisagem que passava rapidamente em minha janela. Minha mente viajou por todos os momentos que passei com ele e percebi que poderia perdê-lo para sempre.

À noite saímos para jantar. Thiago sabia que eu não gostava de coisas exageradas, então fomos a uma cafeteria e fiquei surpresa ao ver que não havia mais ninguém.
-O dono é meu amigo e, bem, hoje essa cafeteria é nossa. – sorriu, segurando minha mão, ao ver minha cara surpresa.
Uma leve melodia tocava no local e havia somente uma mesa arrumada com velas. E só então eu pude perceber como Thiago estava tão lindo. Ele puxou a cadeira para mim e, ao sentar, beijou minha bochecha murmurando em meu ouvido:
-Você é extremamente linda. – e com um sorriso sentou em minha frente.
Uma pessoa veio até nossa mesa e encheu nossos copos com água. E depois, simplesmente estávamos a sós. Ainda não conseguia falar pois tudo aquilo era totalmente maluco para mim. Percebi que meu coração pulava dentro do peito de uma maneira diferente, de um jeito que era bom.
-Não vai dizer nada? – Thiago me perguntou ainda sorrindo.
-Eu... Não sei. – respondi sorrindo com certo nervosismo. – Por que isso? – perguntei.
-Porque você é especial. – disse bebendo um pouco de água.
Eu só ri, olhando-o com carinho. Ele nunca havia levado uma de suas garotas para jantar e, para completar, eu nunca fui uma de suas garotas. Thiago sempre ficava com uma garota diferente todas as semanas e nunca com a mesma duas vezes. Eu fui a primeira dentre tantas que ele tratou de maneira diferente e que ainda era sua amiga.
-Diana, o real motivo de estarmos aqui hoje não é o fato de eu ir embora amanhã. – disse-me depois de jantarmos. – Existem coisas sobre mim que não compreendo e outras que prefiro não compreender, e você é uma das que preferia não compreender.
-Como assim? – perguntei, me apoiando na mesa para ficar mais perto dele. Thiago ficou calado somente me olhando, até que levantou e se ajoelhou ao meu lado.
-Você é diferente. – disse com um sorriso. – Diferente de todas as outras. Você pensa e age de modo diferente e sei que foi por isso que me tornei seu amigo. Mas naquela segunda vez que nos beijamos tudo ficou esquisito porque eu não entendi como você conseguiu fazer com que eu ficasse nervoso. – e ele riu. – Eu, Thiago Freitas, fiquei trêmulo ao beijar uma garota e você sabe a fama que adquiri com os anos. Lutei e relutei contra eu mesmo, só que não consegui. E depois que meu pai me avisou que íamos embora, a ficha caiu. – Thiago enfiou a mão no bolso da calça e tirou uma caixinha que logo abriu, revelando um pequeno pingente de âmbar num simples fio preto. – Eu sei que você não gosta de coisas chamativas e toscas, então eu trouxe a pedra de âmbar que minha avó me deu anos atrás, só fiz mandar colocar o pingente e conseguir esse cordão. – e levantou, indo colocar o cordão em meu pescoço. Thiago estava me surpreendendo tanto nos últimos dias que era até complicado de me expressar. – Segure seus cabelos, minha anomalia. – disse rindo.
-Idiota. – respondi também rindo. Aquele apelido besta surgiu depois de uma aula de biologia em que o professor explicou que pessoas ruivas eram anomalias genéticas. Mas eu o deixava me chamar de “minha anomalia” pelo fato dele amar a cor de meus cabelos. E de usar o pronome "minha".
-Pronto. – disse após colocar o presente e me olhar. – Ele combina com você.
Ficamos um minuto em silêncio e logo outra doce melodia começou. Thiago segurou minha mão e eu levantei, abraçando-o imediatamente. Começamos a andar ainda abraçados e rimos. Eu o olhei e segurei seu rosto entre minhas pequenas mãos, grudando meus olhos nos dele. E logo em seguida, minha boca na sua. Aquele era o momento mais feliz de minha curta e miserável vida.
-Eu te amo... – Thiago sussurrou em meu ouvido depois de nosso beijo. – Te amo de verdade. – Afirmou me fazendo sorrir. Porque eu o amava também, com uma intensidade sem igual.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Carícias


Ela acariciou meus longos cabelos enquanto olhava no fundo de meus olhos. Eu não era a criatura mais perfeita da face da Terra, tinha erros que valiam por cinco vidas, marcas eternas, vergonhas para se esconder o rosto de todas as pessoas, porque elas conseguiriam enxergar através de mim. Mas ela, apesar de ver tudo o que eu tinha de ruim, ainda estava comigo. Seus pequenos pés encostaram nos meus e estavam tão gelados que a puxei um pouco mais para perto de mim, o que a fez dar um sorriso estonteante. Toda a minha maldade se esvaiu com esse gesto. A pele macia de suas mãos passeou por meu rosto, arranhando minha barba mal feita, o toque tão suave fazendo com que eu ficasse com todos os pelos de meu corpo eriçados. Seus dedos contornaram meus olhos e chegaram a minha boca, desenhando a linha de meus grossos lábios. Eu queria que ela me beijasse naquele exato momento, que puxasse meu corpo num gostoso abraço, mas ela continuou as carícias com a ponta dos pequenos dedos. Apesar de minha vontade de agarrá-la e ceder a certas vontades, eu fui obrigado a me conter, tornando imediatamente escravo de suas vontades. Ela que fizesse o que bem entendesse. Poderia me abandonar, me bater, me xingar de nomes inimagináveis. E juro que não compreendia o por quê de estar tendo a regalia de sua presença, de seu pequeno corpo tão próximo do meu, de seu carinho. Sua mão continuou com os doces movimentos, descendo pelo meu pescoço e passando lentamente por meu peito, até chegar em uma de minhas mãos. Puxando-a para seu delicado rosto, ela sorriu novamente e fui acometido de múltiplos calafrios. Vagarosamente deslizei as costas de minha mão por sua bochecha, sua expressão de satisfação me deixando louco. Ela tornou a olhar minha alma através de meus olhos e roçou o pequeno nariz em minha boca. A mão que ainda estava em sua face imediatamente passou para a nuca, fazendo-a soltar um leve suspiro. Essa era uma das coisas que ela mais adorava. Se aproximou mais, ficando em cima de mim e sorriu antes de colocar os lábios sobre os meus. Eu a amava. Sorrimos plenos de felicidade e ela encostou sua cabeça em meu peito. Aos poucos sua respiração foi se estabilizando. Eu acariciei seus longos cabelos e sorri. Porque ela estava comigo apesar de toda a merda que eu era.