sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Olhos Fechados


Ela não quis abrir os olhos. Teve medo por pensar que, ao fazer esse gesto, tudo o que havia enxergado sumisse como as miragens do deserto. Manteve-se assim por vários minutos, até que sentiu o toque leve em seu rosto, e ela sabia que toda a reação de seu corpo, o arrepio de todos os seus pelos, o calafrio gostoso passando por sua espinha, era algo que desejava a tempos.
-Por que você não abre os olhos? - perguntou, a voz grave entrando como uma doce melodia em seus ouvidos. Ela continuou calada e sentiu a ponta dos dedos dele passearem lentamente pelos seus olhos. - Eu estou aqui e prometo que não vou embora. - sussurrou, a voz na base de seu ouvido. Toda a reação do corpo pequeno e frágil se intensificou e, lentamente, resolveu abrir os olhos. A visão do rosto dele foi esplendorosa. Ele a desejava de forma demasiada e seu olhar o condenava. Seu grande pecado... Naquele momento ela percebeu que nascera para ele e que nada poderia mudar o destino que lhe fora traçado antes mesmo de chegar ao mundo. Devagar, levantou a mão e tocou no rosto do amado, ainda sem acreditar que finalmente estava realizando vontades ocultas de longos anos. Ela mordeu o lábio inferior e o levou a loucura. Sem se aguentar mais, ele segurou-lhe pela nuca, puxando um pouco os fios soltos e roubou um beijo da boca que tanto cobiçara. Suas línguas se entrelaçando num doce ritmo desesperado. E, de repente, chegaram ao céu...

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Florence Welch B-Day


Ela entrou em minha vida por causa de sua voz magnifica. Não havia como não me apaixonar. Vasculhei toda a internet a procura de informações, a procura de suas músicas divinas e estonteantes. Quando dei por mim, já a chamava de "Minha Diva", coisa que sempre achei estúpida, até conhecer o seu trabalho. Seus cabelos ruivos me encantavam e me deixavam mais e mais apaixonada. Me apaixonei perdidamente por uma mulher, a única que me fez chorar com suas doces melodias, a única que me faz cantar suas músicas sem ligar para o que os outros irão falar. Ela é a mulher do sorriso perfeito, que faz meu coração disparar dentro do peito. E hoje ela completa 26 anos de vida... Oh Florence, ainda tem muita coisa pela frente, muita música para me agraciar. E eu aqui no meu singelo mundo só posso desejar um magnifico parabéns à você


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Dia Ruim


Fazia tempo que não me sentia desse jeito, como se meu coração tivesse sido arrancado do peito, pisoteado e colocado no lugar como se nada tivesse acontecido. E não havia motivos para estar assim, era só uma vã tentativa de algo que poderia se transformar, mas estou me sentindo péssima desde que saí de lá. Realmente não levo jeito pra coisa. Se levasse, tudo ia ser uma mera brincadeira que nem da última -e primeira, diga-se de passagem- vez. Mas hoje eu quis levar um pouco a sério e a coisa não deu certo como deveria dar. Como nos meus sonhos se demonstrou dar certo. Só que hoje o dia já não começou tão bem, então era meio lógico que meus planos iriam por água abaixo. É, tenho que me acostumar, apesar de ainda doer...

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Carta



Belém, 16 de agosto de 2012

Querido,
Ainda tenho pensado em você. Sei que não fui a melhor pessoa do mundo após tudo o que disse, mas estou tentando melhorar. Não deves conhecer meu histórico amoroso, onde eu só tive um relacionamento sério que não durou tanto tempo, o resto... não existe. Acho que por culpa desse fracasso eu tenha medo de me relacionar com alguém, tenha medo de dizer um verdadeiro “eu te amo”. Talvez seja por isso que me sinto tão mesquinha, ignorante, idiota e suja, porque eu te perdi mais uma vez por não ser forte, por usar das palavras -as quais sei utilizar tão bem- para ferir seu coração. E já fiz isso tantas vezes que me sinto um lixo que não pode nem ao menos ser reciclado. Só posso mais uma vez te pedir perdão por toda a merda que já falei e até entenderei se disser que não irá me perdoar, afinal, sei que mereço isso e mais, muito mais. 
Ainda te amo.                                                   

domingo, 5 de agosto de 2012

Âmbar - Capítulo 4


Ainda permaneci parada no corredor por um tempo com cara de lesa. Não conseguia raciocinar direito e as únicas coisas que pairavam em minha mente eram os olhos do garoto e sua voz falando meu nome. Como me conhecia era um mistério, já que nunca o tinha visto em lugar algum e sabia pelo menos que era novato na escola.
-Diana. - ouvi meu nome e em seguida vi Laura tocando meu braço. Olhei em volta e percebi algumas pessoas me olhando de modo estranho.
-Você o viu? - perguntei, começando a andar com ela ao meu lado, tentando me afastar daquele ambiente.
-Quem? - perguntou ainda sem entender por que eu agia daquele modo.
-Um garoto com olhos idênticos aos de Thiago. - respondi, mais aliviada por ter saído da escola. - Ele disse que se chamava Felipe.
-Ah sim. - respondeu, seu tom de voz me fazendo parar instantaneamente. - Novato e já chamou a atenção de todas as garotas quando entrou na sala, menos de você que nem tirou os olhos do caderno. Mas parece que já o conheceu. - disse sorrindo. E devo mencionar que não gostei nada daquele sorriso.
-Eu abri a porta do meu armário e o acertei em cheio, tanto que o nariz dele ficou sangrando. Ajudei a estancar o sangue e quando ele abriu os olhos fiquei totalmente sem reação. Juro que não sei o que me aconteceu. - disse voltando a andar. Queria somente chegar em casa e me jogar na cama.
-Você sente falta de Thiago, isso é normal. Qualquer coisa que vê, já lembra logo...
-Não! - exclamei interrompendo-a. - Eu tenho certeza, os olhos eram idênticos. Essa cor é inconfundível! - fiquei exaltada nessa hora. Só queria apagar certas características de Thiago de minha memória e do nada surge um garoto com olhos cor de âmbar. Não merecia pior castigo.
-Diana, tente não associar os dois. Felipe é totalmente diferente de Thiago. Ele é idiota, gosta de brincadeiras sem graça; resumindo, é muito atentado. - e riu por descrever um garoto que mal conhecia. - Thiago só sacaneava com os outros quando você aprovava, já Felipe não precisa de autorização. - saber que eles eram diferentes na personalidade já era um alivio.
-Ok... - murmurei me afastando de Laura e mando o caminho de casa. Dormi por pouco mais de dezesseis horas. Ainda não conseguia me adaptar com horários então, ao chegar em casa depois do primeiro dia de aula, só fiz tomar banho, almoçar e correr para o quarto. Minha cama foi tão aconchegante depois de todo o susto, porém demorei a dormir, lembrando dos olhos de Felipe e Thiago, comparando-os mentalmente. Não ia permitir que aquele moleque me perturba-se. Ele sabia meu nome por algum motivo e mais cedo ou mais tarde eu iria acabar descobrindo.

Não queria ir pra escola. O simples fato de encarar Felipe por mais de cinco horas já era motivo mais que suficiente para continuar em casa, mas meus pais não cederam e, contra a minha vontade, tive que ir. Cheguei cedo e acabei sendo a primeira a entrar na sala, pegando imediatamente um livro para me distrair. Nossas mesas eram duplas, então sempre sentava com Thiago e, agora que ele se fora, Laura ficava comigo. Meu susto foi enorme quando alguém sentou ao meu lado, e vi Felipe na maior cara de pau arrumando seus materiais na mesa.
-Oi. - disse-me depois de um tempo. Os olhos grandes e brilhantes me deixando sem palavras. - Tudo bem, Diana? Tive que fazer uma compressa de gelo no nariz ontem, você tem uma força estupenda. - disse sorrindo. Fechei meu livro e fiquei calada olhando-o. Que garoto abusado!
-Como... sabe meu nome? - consegui dizer depois de uns minutos. Dizem que a curiosidade matou o gato, mas ainda queria saber como ele se tornara meu perseguidor.
-Lista de frequência. - respondeu, curto. - Estive te observando ontem.
-Esteve me observando? - consegui perguntar, concentrando toda a minha raiva.
-Sim, - disse sério. - algum problema?
-Problema? - falei rindo. - Imagina! Só um garoto que nunca vi na vida que resolve me perseguir assim, sem mais nem menos, no primeiro dia de aula. Idiota! - e levantei imediatamente, indo sentar no fundo da sala. Realmente consegui ficar com ódio daquele menino. Ao sentar em outra mesa, levantei os olhos e vi que todos na sala me olhavam de maneira estranha e alguns até cochichavam. Olhei para Felipe e ele não desviava os olhos de mim. Um sorriso debochado surgiu em sua boca e tornei a olhar para meu livro, quase explodindo de raiva.

sábado, 4 de agosto de 2012

Tempo


Irei esperar alguns meses antes de tentar falar com você novamente. Aí quem sabe eu tenha um pouco mais de coragem e não sinta o medo que sinto agora. Vou esperar que o tempo passe e cure as mais recentes feridas que lhe proporcionei por ser mesquinha e uma completa idiota. Estou me programando desde já, mas tudo vai depender de quando voltar a falar com você. Tudo vai depender de suas respostas... Tudo vai depender se você ainda me amar como jurou amar desde o começo... Juro que dessa vez irei conter meu medo. Eu quero ver um sorriso nesse seu rosto.