quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Âmbar - Capítulo 15 - Final


Então, finalmente, me decidi. Claro que essa não era a maior decisão da minha vida, mas tinha um grande peso.
Era domingo e o dia amanhecera nublado (um mau presságio talvez?), com uma fina chuva caindo sobre a cidade. Acordei meio tarde, mas ainda continuei na cama pensando no que fazer, em como dizer com quem ficaria sem magoar o outro.
As horas passaram voando e, quando percebi, já era três da tarde. Vagarosamente me arrumei e olhei para a rua: o céu permanecia nublado, mas a chuva cessara completamente. Fiz uma prece silenciosa naquele momento, pedindo que nada viesse a dar errado. Eu precisava de todas as forças possíveis.
Saí de casa um tempo depois e fui andando até a casa de Felipe. Sem pressa, pois eu estava bem nervosa. O que mais me deixava com medo era a reação deles, se iriam me odiar eternamente ou se continuariam meus amigos. Apesar de tudo, eu não queria perde-los de jeito nenhum, entretanto a possibilidade era cada vez mais real.
Cheguei em frente a porta da casa e estanquei, paralisada. Todo o medo aflorou naquele momento e meus braços não se mexiam para apertar a campainha. Vozes na minha cabeça gritavam para eu correr e não fazer burrice. Dei meia volta para começar a correr sem rumo, quando a porta se abriu.
-Diana! - exclamou Felipe. - O que faz aqui?
Quis me enterrar naquele momento, eu realmente quis. Sorri e virei de volta, encarando Felipe.
-Oi. - disse com um sorriso trêmulo. - Vim aqui para... Conversar, sabe? - disse tentando não parecer tão idiota.
-Ah... - ele murmurou parecendo compreender. - Imagino o que seja... Bem, entre. Vou chamar o Thiago.
Todos os dias eu agradecia por Felipe não ser tão idiota e compreender meus devaneios. Sentei no sofá e esperei. Engraçado foi lembrar-me de Felipe me atacando no dia em que Thiago voltara, poucas semanas antes. Sorri com a lembrança...
Ele não demorou a voltar com Thiago e logo fiquei em pé. Dava pra sentir a tensão pairando no ar, as respirações meio ofegantes.
-Oi. - falei tentando melhorar o clima. Não adiantou, devo mencionar. - Tomei uma decisão. E a partir de hoje eu espero que possamos continuar sendo amigos. Essas semanas foram perfeitas e vocês são especiais... - minha mente gritava por ajuda, comecei a ficar mais trêmula. - Sei que demorei a decidir, mas eu estava com grandes dúvidas... Pelo amor de Deus! - exclamei. - Falem algo!
Felipe riu. Ele apenas deu uma daquelas risadas e continuou me olhando. Thiago quem tomou a palavra.
-Diana, nós respeitaremos sua decisão, por isso fique calmo, ok? Nós não vamos te trucidar.
-Ok. - falei retomando o controle. Alguns segundos se passaram enquanto olhava para os dois caras bem na minha frente. Fechei os olhos e respirei fundo antes de voltar a falar. - Thiago, vem comigo. - e andei até a porta. Naquele momento vi a decepção nos olhos de Felipe, que manteve o sorriso e se afastou, indo para outro cômodo da casa.

Thiago e eu andávamos calados no asfalto molhado. O caminho era conhecido: a praia. Ao chegar, sentei na areia e esperei ele fazer o mesmo. Só que continuou ao meu lado por uns minutos sem sentar, com uma expressão indefinível no rosto. Apenas esperei.
-Clima pesado. - ele disse e sentou.
-É complicado tudo isso. Magoar alguém nunca é uma coisa boa. - respondi ainda sem olhá-lo. O silencio pairou por mais alguns minutos quando resolvi falar novamente. - Eu te amo Thiago e sempre te amei, mesmo quando nós negávamos isso. E então você partiu e me deixou em pedaços. Daí Felipe apareceu. Querendo ou não, me ajudou a voltar a ser quem eu era. Engraçado que, no dia que você voltou, Felipe havia se declarado pra mim e fui até sua casa para dizer que te amava e por isso não poderia ficar com ele. A ironia é que se você tivesse aparecido no dia seguinte, não pensaria duas vezes e estaria com você. Mas sua volta, justamente naquele dia cheio de dúvidas, fez com que eu percebesse que também gostava do seu primo.
Dei uma pausa para olhar Thiago. Ainda não conseguia ver nenhum sentimento e seus olhos estavam fixos em mim. Continuei.
-Me desculpe. Apesar de te amar, quero ficar com Felipe. Ele me faz sentir toda a adrenalina da vida, eu me sinto completamente viva ao seu lado. - já não conseguia mais olhá-lo e foquei no horizonte. - Ah Thiago... Me perdoe mas preciso ficar com Felipe.
Não sei quanto tempo passou depois do que foi dito, somente continuei sentada, esperando alguma palavra ofensiva. Nada. Pelo canto dos olhos, vi que ele também encarava o horizonte.
-Vá. - falou num murmúrio, a voz meio embargada.
A chuva voltou a cair pesada sobre a cidade. Então levantei e corri. Acho que nunca corri tanto na minha vida e quando cheguei a casa de Felipe, já estava completamente molhada. Devo ter tocado a campainha milhões de vezes, mas ninguém me atendia. Comecei a me desesperar e andar de um lado para o outro. “Onde esse idiota se meteu?” pensava nervosa.
-Diana, você deve ser muito tapada por não sair de casa com um guarda-chuva  justamente hoje. - Felipe disse atrás de mim. Ele estava na calçada, debaixo de um guarda-chuva carregando uma sacola com cervejas. Não pude deixar de não sorrir.
-Ia se embebedar por que não te escolhi? - disse me aproximando. Ele olhou para a sacola e soltou aquele sorriso irônico junto de um “é”, dando de ombros.
-Acho que você deveria estar com Thiago, não? - falou se aproximando também.
-Não, eu deveria estar com você. - falei sorrindo. Felipe ainda continuou com aquele sorriso sarcástico e não pude deixar de rir alto. - Idiota. - xinguei e logo em seguida o abracei. Ele largou a sacola e o guarda-chuva e se molhou comigo.
-Você que é uma idiota... - ele disse, nos separando para logo em seguida segurar meu rosto e me beijar. - Acho que agora posso te chamar de “minha idiota”, não é? - e sorriu, dessa vez de felicidade, o sorriso que vi pouquíssimas vezes.
-Pode. - sorri também. - Você pode. - e o beijei de novo.

Aquela era a minha escolha. E eu estava extremamente feliz com ela. Se eu amava Felipe? Ainda não, mas aprenderia a amá-lo. Era só questão de tempo.

Fim.

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Âmbar - Capítulo 14


E duas semanas se passaram desde a conversa que tivera com Thiago e Felipe. Achei que eu não os veria de maneira mais íntima até me decidir e fiquei surpresa ao ser arrastada por Felipe até uma daquelas salas vazias e ser atacada na primeira semana. Ele me contou que fizera um acordo com o primo de não ficar comigo até que eu tomasse uma decisão. E então deve ter batido peso na consciência de Felipe, porque ele não me procurou mais. Imagine minha surpresa ao ver Thiago em frente a minha porta alguns dias depois. Esses dois não eram bons em cumprir promessas... E eu não ia recusar alguns beijos.
Passamos um tempo nos encontrando e saindo, os três sempre juntos. Aquele parecia um bom método para fazer com que eu escolhesse logo: conversávamos somente, era quase aquela fase de conhecer gente nova, a diferença era que eu já conhecia os dois há bastante tempo. Por um lado seria até interessante se no final de cada encontro a três não existisse aquela tensão vinda dos dois de “é hoje que ela escolhe!”. Não meus caros, não seria assim.
Claro que toda essa história estava na boca do povo fofoqueiro da escola e alguns  apelidos pejorativos sobre mim já circulavam. Os que me conheciam ainda me defendiam, mas depois de uns dias passei a não me importar. Como se eu fosse ligar para os comentários das mal-amadas de minha escola que não conseguiam a atenção de Felipe e Thiago. Apenas risos.
Em relação a minha decisão, eu sabia que já estava mais do que na hora de tomá-la. Duas semanas é muito tempo para se esperar, e eu tinha noção da aflição dos primos. Acho que já sabia quem eu escolheria desde o início de toda a confusão, mas eu queria ter plena certeza. Simplesmente não queria me arrepender e sabia que poderia fazer  uma má escolha, mesmo depois de análises e mais análises sobre isso.

Se eu estava numa enrascada? Oh sim. Numa bela, linda e maravilhosa enrascada. Assim é a vida, não é?

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Âmbar - Capítulo 13


No dia seguinte acordei feliz, apesar de toda a droga de confusão que havia me metido. Tinha os dois homens mais lindos da cidade apaixonados por mim, o que seria maravilhoso se eu também não estivesse apaixonada por eles. Sabia que teria que tomar uma decisão mais cedo do que queria, senão acabaria perdendo-os.
Fui para a aula e logo que entrei na sala, me deparei com Thiago e Felipe conversando seriamente. Sentei-me ao lado de Laura, que me olhou com certa preocupação.
-Já estou sabendo do que tá acontecendo... - disse.
-Desculpa, eu devia ter te contado... - suspirei, segurando minha cabeça com as duas mãos.
-Não se preocupe com isso... Bem, parece que você está numa bela enrascada só por essa expressão.
-Eu gosto dos dois... - murmurei.
-O quê? - Laura fez o favor de falar alto, chamando a atenção de todos na sala, que imediatamente ficou em silêncio. Eu vi a vergonha em seu rosto por ter virado o centro das atenções e pediu desculpas se aproximando de mim para se esconder. Não pude deixar de rir. - Como assim você gosta dos dois? Ficou maluca?
-Bem, se eu fiquei a culpa é do Thiago que ficou incomunicável e pediu pro Felipe “cuidar de mim”. - suspirei. - Nessas horas eu preferia ser maluca mesmo...
-Que história hein Diana...
-Eu bem sei. - sorri forçadamente. - E agora os dois estão conversando, sendo que ontem nem se falavam. Boa coisa não é...
-Nunca estive numa situação assim, então não posso ajudar muito, mas você sabe que pode contar comigo pra qualquer coisa. - sua mão afagou meu braço e eu não pude ficar sem sorrir de volta. Agradeci por ter uma amiga como Laura, apesar de ultimamente ter deixado-a de lado.
O assunto se encerrou após o professor entrar na sala e quando todos ficaram em silêncio. Olhei para trás e me senti fuzilada por ter dois pares de olhos cor de âmbar me encarando. Suspirei por me sentir mais ferrada do que já estava, se era possível.

As aulas terminaram e meio que me senti obrigada a sair correndo. Nunca tinha faltado uma aula de teatro e aquela não seria a primeira vez. Quando estava terminando meu almoço, Thiago e Felipe se aproximaram de minha mesa. Felipe sentou-se imediatamente ao meu lado e Thiago permaneceu ainda em pé. Olhei para os dois, receosa.
-Precisamos conversar. - Felipe disse.
-Bem... - falei limpando os lábios com um guardanapo e me aconchegando na cadeira. Olhei para Thiago ainda em pé. - Pode sentar se quiser, ainda tem cadeiras nessa mesa. - ele agradeceu e sentou. Não pude deixar de sorrir ao perceber mais uma diferença entre os dois: Thiago muito educado e Felipe um completo cara de pau.
-Nós precisamos ter uma conversa séria, Diana. - Thiago disse, fitando-me com os olhos que eu tanto amava.
-Bem, antes que comecemos acho melhor nos encontrarmos mais tarde, afinal não vou faltar minhas aulas extras por causa dos dois. Minha aula de teatro termina daqui a duas horas, podemos nos encontrar em algum lugar.
-Por mim tudo bem. - Felipe concordou. - Só escolha o lugar. - vi Thiago concordar e pensei um pouco.
-O barzinho perto da praia. - falei. - Todos conhecem. - os dois concordaram e em seguida me levantei para ir embora. Ainda olhei para trás por alguns segundos e vi um olhar preocupado vindo dos dois. Por um momento senti medo de perdê-los. Eu ainda não tinha me decidido.

Acho que nunca corri tanto na minha vida. E acho que nunca me senti tão nervosa. Não sabia o que eles queriam comigo e, devido as caras sérias que vi o dia todo, sabia que não era algo bom. Cheguei no barzinho e vi os dois em pé, num tipo de varanda que dava para o mar. Ver os dois juntos, rindo de alguma cosa, me deixou mais desconfortável do que já estava. Senti que minha decisão separaria os primos de alguma maneira. Me senti a “destruidora de lares”. Respirei fundo e me aproximei.
-Oi meninos. - disse usando minhas habilidades de atriz para parecer menos nervosa. Eles me responderam abandonando o sorriso e eu respirei fundo. - Bem, por que estamos aqui? - perguntei.
-Porque precisamos definir o que está acontecendo. - falou Thiago. - Concordamos que não podemos continuar assim. - disse apontando para o primo. Olhei para Felipe que concordou com um sorriso meio irônico. Nem nesses momentos ele deixava de ser um idiota.
-Precisamos de algo concreto. - disse Felipe.
Suspirei. Como aquilo era difícil, meu Deus! Me apoiei no batente da varanda e olhei para o mar, admirando o silêncio e a paisagem durante alguns segundos.
-Gosto de vocês. É complicado dizer o que sinto, realmente complicado. Mas os dois são especiais, cada um com seus defeitos e qualidades e foi justamente isso que fez com que me interessasse. Só não posso escolher, não consigo. Então não me peçam isso, pelo menos não agora, não aqui. Vamos aproveitar esse momento sem culpa, sem pensar no que poderia acontecer ou não. Porque, como já disse, estou afim dos dois. O que nós vamos fazer? Não sei... Ainda não sei. - falei sem tirar os olhos do horizonte.
Ficamos os três em silêncio, até que peguei a garrafa de Felipe para tomar um gole e depois a de Thiago. Rimos.

Senti minha cabeça mais leve após dizer todas aquelas palavras que se amontoaram em minha mente. E mais leve ainda por ver os dois me tratando como se fossemos amigos de longa data, sem nenhum problema a ser resolvido. A verdade apenas se escondera debaixo do tapete naquele momento.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Âmbar - Capítulo 12


Felipe caminhou comigo até minha casa e segurava minha mão como se fossemos namorados. Era uma sensação gostosa e que valia a pena devido nossa história. Ao nos aproximarmos de minha residência senti um terrível desconforto. Thiago estava sentado na frente de casa, esperando-me e fez uma cara muito tensa quando viu nossos dedos entrelaçados.  Olhei para Felipe e ele entendeu o recado. Beijou-me levemente e foi embora. Me aproximei de Thiago e suspirei.
-Não vou discutir contigo aqui fora. - falei passando por ele e entrando em casa. Larguei minha mochila no sofá e virei-me para Thiago, que já fechava a porta.
-Surpreendente isso. - disse apontando para a rua, para a cena que acabara de ver.
-Sim, surpreendente viver minha vida. - disse ironicamente. - O que veio fazer aqui?
-Conversar, Diana. Vim conversar sobre nós, sobre você e Felipe, mas parece que já tomou sua decisão. - suspirou.
Não Thiago, tudo o que eu falei ontem continua firme: ainda te amo, mas gosto do Felipe. Se você disser “quero ficar contigo” eu fico e pronto, mas você mesmo disse que enquanto eu não me decidir, não ficaremos juntos e enquanto isso, vou aproveitar ao máximo o tempo perdido. - respondi decidida. Me senti extremamente confiante em minha atitude.
-Você... me ama? - perguntou se aproximando.
-É lógico Thiago! - exclamei começando a ficar com raiva. - Eu sofri durante meses por tua causa. Te amo seu idiota. - quase gritei. Vi ele se aproximar de mim num lampejo e me agarrar. Seus dedos puxaram os fios do cabelo da minha nuca e ele apertou nossos corpos. Ser agarrada por dois dos mais lindos garotos da cidade no mesmo dia era bem tenso, mas não era como se não gostasse. Apesar de parentes, eram diferentes e eu amava aquela diferença.
-Droga Diana! - exclamou, ofegante e me olhando bem de perto, sem desgrudar de mim. - Eu te amo demais. - e me deu mais um beijo desesperado. - Demais...
Naquele momento posso ter tido a pior ideia da minha vida. Segurei a mão de Thiago e o arrastei até meu quarto, trancando-nos em seguida.

Thiago já estava sem camisa e deitado em cima de mim na cama. Sua fama de pegador realmente se mostrava ser a mais pura verdade. Ele não era ser só mais um rostinho bonito da cidade: era um corpo bonito também. Eu já o tinha visto sem camisa num jogo de futebol, mas a situação ali era bem diferente. Então Thiago começou a levantar minha camisa e eu estanquei. O amava, era fato, só que a dúvida sobre quem merecia minha primeira vez chegou junto de um turbilhão de pensamentos gritantes: Felipe.
-Thiago, - falei empurrando-o. - melhor não... Não agora. - e levantei. Ele permaneceu deitado na cama durante uns segundos até levantar e pegar a camisa que havia jogado no chão durante os beijos, vestindo-a e se aproximando de mim.
-Desculpe. - e me beijou os lábios. - Acho que perdemos o controle aqui. - e sorriu. - E você é linda e porque não dizer também gostosa. - nesse momento dei-lhe um tapa no braço que o fez rir. - Eu entendo. Por mais que eu soubesse que tinha que parar, não conseguia sozinho. Eu te amo e isso não devia ser desse jeito, movido a certa raiva por causa de toda a situação. Eu te amo, Diana. - falou sorrindo e afagando minha bochecha. Dei-lhe um beijo terno e depois o  vi sair do quarto e ir embora.

Eu mordi o lábio e sorri. Para em seguida lembrar da situação complicada em que estava metida e me jogar na cama bufando.

sábado, 2 de novembro de 2013

Âmbar - Capítulo 11


Eu tinha acabado de perceber o que sentia. Por mais que amasse Thiago, era verdade que havia me apaixonado por Felipe, o primo malvado que conseguira essa façanha por ser um completo idiota. O pior de toda a conversa foi ver Thiago achando que aquilo era uma brincadeira minha, como se nos últimos meses eu tivesse sido uma peste, pregando peças em todo mundo.
-A culpa é minha, afinal eu me permiti sentir isso, mas eu te culpo também, e muito por sinal. - falei sem olha-lo. Para mim já bastava seu tom de voz acisador.
-Agora a culpa é minha? - perguntou exaltado. - Oh Claro! Fui eu quem aproximou os dois!
-Na verdade, foi sim. - falei com um pouco de raiva por vê-lo dizer besteiras. Provavelmente ele nem estava raciocinando direito com tanta informação. - Ou você esqueceu que pediu pro seu primo amado cuidar de mim? Sem contar o fato de ter ignorado minhas ligações, mensagens, e-mails, ter me bloqueado nas redes sociais e, sendo o mais sincera possível, se eu tivesse mandado sinais de fumaça você teria ignorado. - disse exaltada, e percebei que estávamos em pé, quase gritando. Vi seu rosto passar de uma expressão indignada para uma culpada. Ficamos em silencio por poucos instantes, até que voltei a falar.
-E sabe o que é mais engraçado? O fato de ainda ser louca por você, de te amar como nunca pensei poder amar alguém. - me aproximei devagar e, com receio, pousei minha mão em seu rosto. - Eu te amo. - sussurrei, segurando-o com as duas mãos. Thiago olhou em meus olhos e percebi como ele se sentia perdido depois de tanta informação vomitada em seus pés. Então  o beijei, com certo medo que se afastasse com raiva, mas apenas me correspondeu. Ele me apertou contra o próprio corpo e nosso beijo começou a ficar mais desesperado. Necessitávamos um do outro, como nunca havíamos necessitado. Os minutos começaram a parecer horas durante esse nosso beijo, quando Thiago me segurou pelos ombros, afastando-me com certa urgência.
-Por mais que eu te ame, nada disso muda os fatos. E o fato aqui é que você gosta de duas pessoas ao mesmo tempo e, enquanto estiver com essa dúvida, não poderemos ficar juntos. - e foi embora. Ainda fiquei na praia, pensando em toda a situação e era verdade que eu não poderia ficar com Thiago ainda pensando em Felipe. Que grande enrascada que eu meti, hein?!

Parecia que tudo estava se repetindo, exceto pelo fato de que eu tinha dois caras de quem gostava, quando antes não existia ninguém.
Acordei sem vontade de ir para a escola, com certo medo de encarar Felipe e também Thiago, caso fosse. Como sempre, fui a primeira a entrar na sala e sentei em minha mesa. A sala foi começando a encher e minutos antes do professor chegar, Felipe sentou ao meu lado.
-O que aconteceu entre você e Thiago ontem? - perguntou, tirando o livro de minhas mãos.
-Como assim? - retruquei sem compreender e ignorando a arrogância com relação ao livro.
-Thiago chegou em casa, deu boa noite e se trancou no quarto. Tentei falar com ele, mas o idiota disse pra te perguntar. Então...?
-Então o que? - perguntei, mas admito que estava me fazendo de idiota.
-O que aconteceu, mulher? - perguntou exaltado. Todos na sala nos olharam. Levantei e fiz um gesto para Felipe me seguir. No corredor, expliquei toda a situação, mas o pior de tudo foi vê-lo me olhar com cara de quem não acreditava em nada. Por fim, mencionei o fato de estar gostando dele.
-Como? - perguntou meio pasmo.
-O que você ouviu Felipe, não se faça de idiota numa hora dessas. - respondi com um pouco de raiva. Ele escondeu um sorriso e se apoiou nos armários ao meu lado.
-O que vai fazer? - perguntou-me.
-Se eu soubesse, não estaríamos tendo essa conversa. - respondi com um sorriso sarcástico. Vimos o professor entrar na sala e decidimos não perder aula por causa de assuntos que poderiam esperar. Entramos e senti todos os olhares da turma em nós. Grande ironia.

No fim das aulas, saí junto de Felipe, que me acompanhou até o prédio onde eu teria aula de canto. Me sentia cada vez mais próxima dele, como se todo o passado de ódio não tivesse existido. Conversávamos sobre Thiago e sobre como meus sentimentos afetavam nós três, mas nem parecia que ele era um dos caras que meu coração fizera questão de se apaixonar.
Agradeci por ele ter me acompanhado, quando vi aquele sorriso que odiava aparecer de novo.
-Acha que vou perder você cantando? - perguntou-me. Bufei e entrei no prédio com Felipe atrás de mim como se fosse um cachorrinho.
A aula foi ótima, apesar de ter ficado envergonhada em alguns momentos após ver como Felipe me olhava admirado. O rubor da minha pele, porém, foi um pouco disfarçado por causa da cor dos meus cabelos que estavam soltos. Era incrível como a situação havia mudado entre nós, como eu estava à vontade na presença dele. Estranho e bom.
Andávamos pelos corredores desertos quando Felipe girou a maçaneta de uma porta e viu que ela estava aberta. Lançou-me um olhar e segurou minha mão. Rindo, falei que não, mas ele me puxou com força e então nos trancou na sala meio escura. Andei até o outro lado ficando longe, mas com um desejo consciente de ter nosso joguinho de sempre, de seu corpo me prendendo contra a parede e acho que ele percebeu. Larguei minha bolsa e fez o mesmo quando segurou meus braços. Só que dessa vez ele foi gentil e entrelaçou nossos dedos, o olhar fixo em meu rosto, em meus lábios. Eu via seus olhos cor de âmbar desejarem aquele momento. Então ele me beijou e percebi o quanto gostava daquele idiota, o quanto suas atitudes imbecis conseguiram me conquistar. Pensei em Thiago também, mas tratei de afastar aquele pensamento imediatamente.

Eu estava com Felipe naquele momento.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Pertences


Desculpa retornar assim, sem avisar previamente que eu apareceria, mas é que eu esqueci alguns pertences meus aqui em sua casa, alguns objetos que são importantes demais para mim. Esqueci aquele pente laranja no seu criado-mudo, aquele da minha cor preferida. Esqueci meu salto alto debaixo da sua cama, aquela que foi nossa cama um dia... Devo ter deixado meus óculos escuros em cima de seu criado-mudo, não o encontrei em lugar algum por minha casa. Provavelmente deixei também minha escova de dente no banheiro, você chegou a ver alguma de cor azul por lá? Ah, esqueci também aquela camisa que usava para dormir, provavelmente jogada no fundo do cesto de roupas sujas desde o inverno passado. Deixei também meu coração em suas mãos e já que tudo entre nós se acabou, eu o quero de volta. Se meus objetos não puderem ser devolvidos hoje, pelo menos devolva meu coração, eu não ligo para o resto, só para ele. Quero recompô-lo para entrega-lo a alguém que mereça, alguém diferente de você. Alguém que consiga fazer o que você não teve coragem de fazer.

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Botas Batidas



"Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão."

Memória - Carlos Drummond de Andrade
4 meses ♥

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Untitled III


Saímos do carro e fomos para a estação de metrô. Você pediu licença e foi ao banheiro, enquanto ficava olhando para o trânsito do lado de fora. Eu não me sentia em um lugar estranho, apesar de nunca ter pisado naquelas terras. Para mim, tudo parecia normal e estava bem. Claro que se estivesse sozinha me sentiria completamente perdida, mas não havia necessidade de ficar daquele jeito. Porque eu tinha você... Então, saindo de meus devaneios, te vi se aproximar, aquele jeito meio desleixado de andar. Em seguida, beijou-me de um jeito desesperado, como se precisasse daquele beijo, como se ansiasse por meus lábios. E eu te compreendia porque precisava dos seus tanto quanto o oposto. Te olhei e sorri, aquela satisfação por poder finalmente fazer o que tanto quis durante meses...

domingo, 8 de setembro de 2013

Untitled II


Sentei no banco de trás do carro e você no do carona. O motorista falava comigo e me dava as boas vindas por ter chegado a cidade, me situava em certas situações e falava sobre nosso trabalho. Mas meus olhos toda hora iam para sua nuca, vendo o jeito meio largado que ficou no banco, como se estivesse cansado de alguma coisa. Mas eu sabia o que era: o alívio por ter me encontrado.  Não que eu estivesse me achando ou algo assim, eu só sabia o que você estava sentindo naquele momento, porque sentia o mesmo. Vez e outra me olhavas, aquele olhar completamente bobo que eu tanto ansiei ver... E não podendo fazer nada do lugar onde estava, esticava minha mão e acariciava levemente seu ombro ou seu rosto, vendo aquele sorriso que tanto amava surgir em seu rosto, seus olhos fechando devagar, aproveitando meu toque, sentindo os segundos passarem... Estávamos juntos. E estávamos completamente felizes. Poder te tocar me bastava naquele singelo momento.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Untitled I


Meu coração estava acelerado. Te vi sair do carro e caminhar, o sorriso bobo nunca antes visto estampado em nossos rostos. Cada vez mais perto... A vontade de correr tomava conta de nós, mas continuei parada com medo de qualquer reação involuntária de meu corpo. Então, num piscar de olhos, senti tuas mãos em minhas costas, o aperto necessitado do abraço tão e sempre desejado. Devo ter falado algo, não me recordo, só lembro-me do seu toque, do cheiro do seu pescoço, do seu corpo trêmulo e do nervosismo que emanava de você, do leve beijo que demos... De olhar em seus olhos, tão de perto, e não conseguir arrancar o sorriso de satisfação em te encontrar. Não existe palavra em qualquer língua desse nosso vasto universo que defina o que senti. Não existe pessoa no mundo que compreenda. Talvez, unicamente, você.

sábado, 20 de julho de 2013

Âmbar - Capítulo 10.2 - Extra Felipe


Quando me mudei recebi uma “missão” de meu primo. Teria que ficar de olho numa garota chamada Diana, que por coincidência seria de minha turma na escola. Thiago, um dos meus primos mais chegados, disse que não iria mais se comunicar com ela  enquanto estivesse longe e que isso poderia ocasionar certas loucuras da menina. Sempre tive um lado meio protetor por mais que não aparentasse e, por causa disso, prometi que cuidaria dela até onde fosse possível.
Não tinha quase nenhuma noção de como era a garota, as únicas descrições que me foram dadas, foram o cabelo ruivo e os olhos claros, além de que era uma das pessoas que mais se destacava na sala. Então, finalmente conhece-la foi sublime. Diana era linda, apesar de estar com uma aparência horrível no primeiro dia. Sentei numa mesa onde pudesse observá-la direito e percebi que passou o tempo todo com o olhar cabisbaixo. Pelo visto, Thiago havia destroçado o coração da pobre e linda Diana.
Na saída, me aproximei para tentar conversar com ela e, na exata hora que ia pronunciar um “oi”, fui acertado em cheio com a porta do armário da menina com muita força. De imediato sentei no chão e fiquei ouvindo os pedidos de desculpas da garota. Eu até riria se não estivesse sentindo dor. Diana estancou o sangue de meu nariz e começou a agir estranhamente quando a olhei. Sabia que não havia sido meu olhar sedutor porque a situação não me permitia e muito menos meu olhar de “cachorro pidão”. Provavelmente tinha sido a herança que eu e Thiago herdamos de nossa avó: os olhos cor de âmbar. Ao me dirigir para o banheiro, Diana perguntou meu nome e eu respondi citando o dela. Tenho certeza que a deixei bem curiosa – e furiosa – quanto a isso, o que se concretizou no dia seguinte, quando levei um baita “chega pra lá”. Havia acabado de assinar minha sentença de ser humano odiado. Eu só fiz sorrir.
De todo, o fato mais tenso foi vê-la bêbada sem nem ao menos conseguir ficar em pé. Na minha função de "guardião” tive que ligar para Thiago e contar o que acontecera. Lógico que não mencionei que debochei dela por estar porre, o que a deixou imensamente enraivada. E ver Diana se desculpar, já sóbria, no dia seguinte, me deixou meio desconcertado. E cada vez mais eu gostava dessa garota.
Minha maior provocação foi na primeira aula de teatro que participei. Sabia que era Diana quem lecionava para o primeiro ano e fiz questão de me inscrever para perturbá-la. Adorei quando me ameaçou caso roubasse seu colar. Um dos momentos mais divertidos. O jogo de xadrez foi mais para ela descobrir quem eu realmente era e o que queria afinal, eu já tinha vaga noção do que havia acontecido entre ela e meu primo. Foi emocionante quando ela disse que o fim daquele jogo era somente o começo de seu ódio. E cada vez mais eu me apaixonava.
Na última aula de teatro, pedi perdão pelo modo como agia e comecei a dar em cima dela. Pela primeira vez em muito tempo me permiti ser um cara normal, que realmente estava interessado numa garota. Sedutor, a prendi contra a parede e esperei que tudo desse certo. A beijei várias vezes até que ela finalmente cedeu e correspondeu meu beijo. Mas fiz a besteira de revelar meus sentimentos de imediato, o que a fez correr.
Andei por horas na rua, tentando entender toda a situação que havia me metido e fiquei surpreso ao chegar em casa e encontrar Thiago sentado no sofá de “mala e cuia”.  Rapidamente ele me explicou que voltara de vez e fiquei chateado por perceber que minha situação com Diana pioraria, já que seu amado havia retornado à seus braços. Enquanto conversávamos, a campainha tocou e eu corri para atender. Diana estava linda com os cabelos soltos, apesar do olhar meio distante e, antes que ela pudesse dizer o que fazia em minha casa, Thiago foi me chamar e a viu. Ali, eu percebi que minhas chances haviam acabado.
Convidei-a para entrar e esperar, enquanto Thiago tomaria banho. Comecei a questioná-la sobre o que fazia em minha casa uma hora daquelas e como desviou do assunto, resolvi atacar. Tinha plena convicção de como mexia com Diana e isso me deixava bem feliz.
É, parece que ainda tenho chances sim.

sábado, 29 de junho de 2013

Last Nite


Dei fim a minha visão naquela noite. Fechei os olhos e apurei minha audição para a música e o coro ao redor. A música que tocava era uma de minhas favoritas e foi impossível não cantar e pular junto da multidão. A endorfina tomando conta de meu corpo, amortecendo a dor nos pés por causa do maldito salto alto e me fazendo sorrir de uma felicidade momentânea. Naquele momento eu era outra pessoa, resquícios de vidas passadas, detalhes de vidas futuras ou talvez aquele era somente um desejo completamente reprimido de poder esquecer da minha vida. Oh sim, deu certo...

Last night, she said "Oh, Baby, I feel so down
See it turns me off, when I feel left out"
So I, I turned 'round: Oh, baby, don't care no more
I know this for sure, I'm walking out that door
The Strokes - Last Nite

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Fique no Passado


Venho passando por um mês nostálgico, lembrando e fantasiando cenas de um tempo que provavelmente nunca voltará. É até cômico pensar em você e lembrar de como eu ficava idiota com suas palavras; de como foi engraçado quando descobrimos o que estávamos sentindo e, por causa da imensa timidez, parecíamos dois pré-adolescentes conhecendo o amor. Aqueles que sabiam de toda a nossa história torciam tanto para que nós ficássemos juntos por muito tempo, até que eu comecei a crer que isso poderia acontecer. Admito que ignorei os fatos reais e me tornei cega para tudo, exceto o que sentia. Quase tudo contribuía para que meus sentimentos se tornassem intensos; a cada palavra escrita, a cada palavra falada, a cada qualquer suspiro, eu te amava mais do que imaginei poder amar alguém. Fizemos planos, tantos planos... Te ensinaria a cozinhar aquelas coisas básicas que todo mundo deveria saber e você me levaria num jogo de seu time, protegendo-me caso eu soltasse algum comentário ofensivo; faríamos doces para uma daquelas noites tediosas e sentaríamos no sofá, comendo e assistindo alguma comédia romântica idiota que me deixou escolher... Passaríamos uma noite em seu quarto, conhecendo cada detalhe de nossos corpos, você sendo carinhoso e atencioso comigo... Talvez tudo isso tenha retornado à minha mente porque o tempo em que esses planos se concretizariam está chegando. Na época, eu não via a hora de estar contigo; agora, eu não vejo a hora desse tempo chegar, ficar em branco, ser esquecido e ficar de vez no passado.

domingo, 9 de junho de 2013

Alguns minutos



Ela sorriu. Percebia-se de longe que nós dois estávamos completamente nervosos e isso era algo maravilhoso de se sentir; o coração disparado, os lábios entreabertos e meus olhos pregados em sua boca, em suas orbitas escuras me olhando com certo receio. Mas ela sorriu. Os seus braços se levantaram e suas pequenas mãos me puxaram timidamente. Eu ofegava e tremia; não era meu primeiro beijo, não era minha primeira garota, mas mesmo assim, ofegava. Ela segurou minha camisa e me puxou, arrancando-me um leve beijo. E ela continuou sorrindo. Vi esse sorriso em seus doces olhos e foi irresistível. Segurei-a pela cintura e aproveitei a pouca iluminação do local para onde a arrastara. Olhei-a nos olhos e, finalmente, sorri. Ali, naqueles poucos minutos, ela foi minha; naquele pequeno espaço escondido e pouco iluminado, eu a tive. E agora não a tenho mais.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Limpeza geral


Tá na hora de fazer aquela limpa geral, sabe? Apagar números de telefone, mensagens nas redes sociais e no celular, excluir certas pessoas da minha vida. Tenho quase certeza de que elas não farão falta nenhuma, afinal o encanto acabou, as palavras cessaram, a magia somente esvaiu. Simplesmente houve o fim. De novo. É até engraçado afirmar isso e sentir as lágrimas surgirem teimosas, como se a culpa tivesse sido minha. Como se eu tivesse contribuído para que tudo acontecesse da maneira que eu menos queria. Na verdade, nunca é do jeito que a gente planeja, o futuro é uma caixinha desgraçada de surpresas e por mais que o planejamento esteja presente, raramente ele se realiza do modo “correto”. Somos movidos pela sorte de encontrar a pessoa certa, que tome as decisões certas (para nós), sorte que quase nunca existe. Entramos num ciclo vicioso de conhecer pessoas e perder metade delas por causa de algo infeliz que ocorreu, e geralmente são as “melhores” que vão embora, aquelas que você faria de tudo para conhecer novamente. Às vezes a culpa nem é sua, mas a maior decisão, a de fazer aquela limpa geral, cabe somente a você. É ruim? Sim, e muito, mas é melhor do que viver de passado, esperando que ele volte como se nada tivesse acontecido.

sábado, 27 de abril de 2013

Âmbar - Capítulo 10.1 - Extra Thiago


Quando meu pai disse que iríamos nos mudar porque ele havia sido promovido, eu realmente fiquei chateado. Passei a noite toda pensando nas pessoas que deixaria para trás e Diana praticamente reinou em minha mente. Meu coração saltava com sua simples visão, então fui convencido de que finalmente me apaixonara perdidamente por ela, mas que por obra do destino, não ficaríamos juntos. Para completar, tinha quase certeza de que ela também sentia algo por mim, mas que não admitia por certo receio quanto a minha fama de “pegador” em praticamente toda a cidade. Justamente eu, que achava que não encontraria a garota certa, e ela sempre esteve ao meu lado sendo minha melhor amiga.
Apesar de tudo, eu precisava contar o que sentia e decidi fazer isso durante um jantar bem romântico. Consegui o local com um amigo e tudo estava certo para minha última noite na cidade. E quando vi a expressão  de surpresa e felicidade no rosto de Diana, toda a minha vida valeu a pena. Desde quando fora buscá-la em casa e a vira de vestido e maquiada, que estava extasiado com tanta beleza.
Após o jantar e meu discurso sobre como acabara me apaixonando, resolvi dar uma de cavalheiro e me ajoelhei ao lado de Diana para dar-lhe minha pedra de Âmbar. Seu rosto lindo mostrando surpresa com o presente. Ela era tão especial pra mim que qualquer expressão em sua face me deixava em alerta, mesmo se fosse por causa de alguma brincadeira idiota minha. Diana era a melhor pessoa que aparecera em minha vida, minha melhor amiga, meu grande amor.
E a despedida foi terrível. Não consegui dizer nada do que realmente queria, todas as palavras em minha mente totalmente prontas, mas o nó que se formou em minha garganta me impediu de dizê-las. Só consegui dizer que a amava. Passei a viagem toda calado e segurando o choro, e quando meus pais tentavam puxar algum assunto, eu sempre respondia com monossílabos.
Seis meses depois da despedida, resolvi que não iria mais aguentar ignorá-la como estava fazendo e que voltaria para a cidade a qualquer custo. Falei com meus pais e arrumei as malas, pois ficaria na casa de meu primo por tempo indeterminado. Mal havia chegado lá, quando a campainha tocou e Felipe foi atender. Fui atrás dele e vi Diana, a melhor visão de minha vida. Ela estava com o cabelo solto, o rosto sem maquiagem, se possível mais bonita do que quando fui embora. Meu coração quase saiu pela boca. Devo ter falado alguma coisa, mas só me lembro de me apressar para senti-la contra meu peito. Eu simplesmente a amava demais.
Para matar as saudades, resolvi andar com ela pelas ruas e colocar o assunto em dia. Corremos até a praia, como no tempo em que não tínhamos nenhuma preocupação e a deixei ganhar a corrida. Ela estava estranha desde quando saímos da casa de meu primo, achei que era ainda a surpresa de me reencontrar, mas quando vi seu sorriso sumir num piscar de olhos, de algum modo eu soube que havia muita coisa para me contar. E quando ela começou a falar, fiquei instantaneamente estático.
Felipe, filho da mãe!

sexta-feira, 29 de março de 2013

Novas mudanças


Eu me pergunto se você ainda lembra de mim. Se meu rosto ou minhas palavras vem a sua mente ao acordar e ao dormir. Se lembra das nossas promessas e tudo o que planejamos fazer um dia. Se ainda lembra do tom da minha voz, assim como eu lembro do tom da sua. Se recorda do meu jeito infantil depois de dizer que te amo e de como você ria disso, me fazendo corar e rir junto. Das discussões sobre filmes ou livros, ou sobre aquela série que todos estão assistindo e nós, porque não, também estamos. Se lembra das minhas tentativas de te fazer sentir ciúmes e de como era fácil te fazer ficar tenso por causa do comentário sobre algum menino lindo ou charmoso. Se ainda lembra como foi fácil me pedir em namoro... E de como eu fiquei envergonhada com o pedido, apesar de receosa com o que poderia acontecer. E eu deixei acontecer... Agora, você ainda lembra de mim ao menos? Você ainda sabe quem eu sou? Ou será que mudei novamente nesse curto tempo? Sabe dizer quem sou eu, meu querido?

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Discurso


"Senhores professores e professoras; caros colegas formandos; senhoras e senhores aqui presentes, boa noite!
É com extrema felicidade que estamos aqui reunidos para comemorar mais esta vitória adquirida em nossas vidas, uma de muitas que ainda virão. Mas para isso julgamos ser necessário recordar alguns momentos, como nossos jogos internos, cuja abertura nos fantasiamos de cangaceiros e fizemos nosso máximo; a festa junina, onde tivemos a ilustríssima presença de Lady Gaga e Vera Verão na quadrilha maluca; os listões, onde comemoramos com muita festa.
Em nossa turma também tivemos muitas ocasiões que nos marcaram demasiadamente: as novas amizades construídas devido as reenturmações; a cooperação em dias de estudo; os elogios e as broncas que levamos durante o ano todo e a reciprocidade de muitos de nossos professores.
A partir dessas lembranças faremos projeções para o futuro, vendo-nos daqui a apenas alguns anos, realizados profissionalmente.
Então como hoje é dia de celebração e propício a agradecimentos, queremos agradecer primeiramente a Deus, pois sem Ele nada disso seria possível.
Queremos agradecer também a oportunidade dada a nós para representar nossos amigos da turma 3001 do Convênio Sophos 2011.
Aos nossos pais, familiares e aos funcionários diversos do colégio que, por mais que não estejam aqui presentes, merecem nossa imensa gratidão.
Ao nosso paraninfo, professor Alcemir Maia, por ter aceitado estar conosco nesta data tão importante.
À nossa coordenação do Convênio e aos professores e professoras por todo o ensino e aprendizado que nos transmitiram ao longo deste ano. Com eles, aprendemos muito mais do que estava em nossa grade curricular. Aprendemos a ter confiança em nós mesmo e que no final tudo daria certo."

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Âmbar - Capítulo 9


Juro que naquele momento eu só queria fugir. De novo. Mas ver Thiago depois de longos meses tentando afastá-lo foi tão bom, que acabei ignorando o fato de estar na casa de Felipe por alguns minutos. Ele me deu um abraço gostos e apertado e um leve beijo nos lábios, que me fez olhar para Felipe imediatamente e ver a cara de quem não queria estar presenciando aquela cena.
Aí a ficha caiu. O que Thiago fazia na casa de Felipe?
-Somos primos. – respondeu. Olhei para os dois indignada.
-Então quando eu bebi, foi você quem ligou para o Thiago? – perguntei apontando para Felipe que ainda permanecia calado. Ele somente concordou com a cabeça.
-Bem Diana, na verdade foi Felipe e Laura. Antes de ir embora conversei com os dois e como ele se mudou pra cidade na época que eu fui, pedi pra ele tomar conta de você, mas sem te contar absolutamente nada.
Deus sabe a raiva que senti naquele momento. “Cuidar de mim”? Por favor! Acho que, pelo jeito que eles estavam, Felipe ainda não tinha contado ao primo o que havia acontecido entre nós. Saber que eles eram parentes complicava ainda mais minha situação.
-Eu voltei de vez, Diana. Voltei pra poder ficar finalmente com você. – Thiago falou sorrindo e, dada a situação, não sabia mais se poderia ficar feliz.

Eles me convidaram para entrar enquanto Thiago tomaria banho e se arrumaria para sair comigo. Fiquei sozinha na sala com Felipe, a situação constrangedora.
-O que você queria falar comigo? – me perguntou após vários minutos. Eu não sabia o que pensar, imagine então o que dizer.
-Não era nada. – respondi ainda sem olhá-lo. Felipe levantou da poltrona e sentou ao meu lado, tão próximo que sentia sua respiração em minha nuca.
-Você não viria até minha casa para nada e nem ao menos sabia que Thiago estava aqui. Tenho certeza que tem algo haver com o que nos aconteceu, ou você já esqueceu que estávamos nos agarrando hoje? – pude sentir a dureza misturada com a malícia em sua voz. Dito isso, Felipe deu um leve beijo em meu pescoço, fazendo com que todo o meu corpo fosse percorrido por vários calafrios. A sensação de perigo pelo fato de Thiago estar no andar de cima me deixou com mais vontade de beijar Felipe naquele momento. Finalmente o olhei nos olhos, minha respiração super ofegante. Então ouvi barulho de passos na escada e num movimento rápido, levantei.
-Desgraçado. – murmurei, o coração batendo tão rápido que precisei fechar os olhos e respirar fundo. Mais calma, vi Thiago se aproximar e Felipe dar um daqueles sorrisos irônicos. Sai de lá aliviada por me afastar do clima tenso, mas ainda continuava com um pouco de medo. Eu teria que contar tudo o que acontecera nos meses fora, porque pelo jeito ele tinha voltado de vez.
-Senti sua falta. – disse segurando minha mão e dando um leve sorriso.
-Thiago, por que você não respondia minhas tentativas de comunicação? – perguntei meio triste.
-Pra mim, aquela nossa despedida foi realmente a despedida. O fato de não poder te tocar ou beijar me matariam aos poucos, então decidi para nosso próprio bem que fazer isso, ignorar, seria melhor. Sei que foi uma atitude estupida e egoísta, mas ela tem um fundo de razão. O problema foi que não aguentei, eu precisava voltar o mais rápido possível pra poder te sentir. Pra poder fazer isso. – tomei um susto quando Thiago agarrou minha cintura e me levou até uma ruazinha calma para me beijar. Rapidamente fiquei sem folego e tonta, coisa que só ele sabia como fazer. Thiago abriu aqueles olhos que eu tanto amava e não resisti. Dei um sorriso tão grande que minhas bochechas até doeram. Começamos a correr até a praia, parecendo duas crianças. Com ele tudo ficava descomplicado e eu vivia sem char que poderia piorar num milésimo de segundo. Ganhei a corrida e me permiti sentar na areia, meu sorriso se desfazendo aos poucos.
-O que foi? Não está gostando? – perguntou-me após sentar.
-Temos muito que conversar... – falei olhando para as ondas distantes.
-Temos? – perguntou com um sorriso. E eu sabia que estava prestes a não ver o sorriso por algumas horas, pelo menos.
-Aconteceram certas coisas. – suspirei. – Muitas coisas. A mais importante delas foi que me apaixonei pelo seu primo. Cometi a estupidez de me apaixonar pelo Felipe. – e olhei para Thiago, que rapidamente ficou sério.
Adeus lindo sorriso.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Rodopiar


Seus cabelos esvoaçaram com o vento, arrancando-lhe instantaneamente um sorriso. Eu não resisti. Ela pousou os olhos escuros em meu rosto e sorriu novamente, mas agora envergonhada, o que me fez dar um longo suspiro. Perguntou-me se eu não iria tirar mais fotos. Acordei do transe que era olhar para seu rosto meigo e levantei a câmera, capturando seu jeitinho de menina levada. Eu a adorava. O vestido branco rodopiou e pude ver suas pernas alvas, seu corpo pequeno e frágil se agitando numa risada gostosa de se ouvir. Aproximando-se, pegou gentilmente a câmera de minhas mãos, olhando cada foto atenciosamente, franzindo o pequeno nariz com as que não gostava e pedindo para apagá-las. Respondi que estavam perfeitas. E não somente as fotos. Ela enrubesceu de imediato, devolvendo-me a câmera e se afastando. Comecei a cantarolar enquanto a clicava de costas na paisagem linda em que estávamos. Devagar, ela parou e virou o rosto para mim, o sorriso estampado no meio do cabelo preto que eu tanto amava. “Diga” falou virando-se completamente e voltando para perto de mim. Ela baixou a mão que segurava a máquina e olhou em meus olhos bem de perto. “Diga”, repetiu. Fiquei calado por um bom tempo. Sabia que não era necessário dizer o que era evidente. Num lampejo de coragem, somente a beijei. E ela sorriu com isso.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Nossos pés


O sol raiou e os dois acordaram juntos. Ela esfregou um dos pés nos dele e sorriu por finalmente poder fazer aquilo. No dia anterior, declararam o amor que sentiam um pelo outro, o que demorou certo tempo pra acontecer. O primeiro segurar de mãos, o primeiro beijo... Lábios que haviam finalmente se tocado, necessitados. O que antes era um simples sonhos que poderia nunca acontecer, se tornara algo real e lindo. Ela o olhou e começou a beijar levemente o rosto do amado, fazendo-o acordar.
-Essa é a primeira vez que acordo feliz. – ele disse, um sorriso começando a surgir. – Tenho motivos, afinal. – e beijou-lhe a testa.
Ela continuou sorrindo e deitou a cabeça em seu peito, o coração dele meio acelerado. Queria proporcionar-lhe aquilo para sempre e, se ele permitisse, o faria com certeza.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Fazer o que?


Minha mala já estava pronta. Ela não se encontrava tão cheia, poucas roupas básicas, meus dois All Stars e um salto alto. Acompanhado de um vestido, é claro. Eu tinha uma vaga noção da sua reação ao me ver com ele e queria muito ver sua expressão admirada. Prestes a sair de casa, o telefone tocou.
-Precisamos conversar. – falou sério, do outro lado da linha.
-Quando eu chegar, conversamos. Já estava de saída. – respondi com um sorriso.
-Largue essa mala e me escute. – ordenou, o que me fez estancar na hora. Soltei a mala e sentei, ele ainda em silêncio. Diversas coisas passaram por minha cabeça e comecei a entrar em pânico.
-Por favor... – sussurrei. – Não...
-O que?
-Nada. – tornei a meu tom de voz normal. – O que foi?
-Só queria pedir... Que não demore a chegar, porque eu preciso te ver logo. – disse com um tom de voz calmo, me deixando completamente aliviada.
-Bobo. – respondi rindo.
-Seu bobo...
Disse que não demoraria e saí correndo. Ele era o maior idiota do mundo. Mas eu o amava, fazer o que?

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Rei Artur


Olhei-te e não consegui ficar sem sorrir. Você era um dos poucos que merecia a minha atenção, um dos poucos que merecia que lhe dirigisse uma palavra. Eu te salvei. Fizemos promessas: você que não faria nenhuma besteira e eu que cuidaria de ti. Olhou-me e não conseguiu segurar a vergonha. E ri daquela atitude.
-Vem cá... – falei, estendendo a mão. Estava sentada na cama e você se aproximou, deitando-se em meu colo. Comecei a fazer um cafuné que te deixou ainda mais com sono. Disse algo que te fez rir. Eu adorava colocar um sorriso nesse teu rosto sério. Comecei a cantar uma daquelas canções de ninar e seus olhos se fecharam, tentando em vão, não finalizarem esse ato. Você dormiu em meu colo como uma criança. E, no silêncio, prometi nunca te abandonar.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O Fato de Desejar


Meus pés ficaram gelados rapidamente. Lágrimas começaram a surgir de meus olhos. Meu coração disparou. Não havia motivo para tanto, eu sabia disso. Mas mesmo assim não consegui me conter. Li cada palavra como se fossem as últimas, desejando que o fim não estivesse explícito. Não aguentaria tanto. Olhei o ponto -que não era o ponto final- e senti uma mistura de coisas me invadir. Senti ódio, saudade, tristeza... Vontade de responder com alguma palavra suja e com significado torpe. Não fiz isso, apenas chorei, igual aos outros dias em que chorava por causa de lembranças. O vento levou meu cabelo até os olhos e pequenas mexas ficaram presas em minha bochecha, no rastro que as lágrimas deixavam. Sorri meu pior sorriso. Deitei-me na cama e virei o rosto para a parede branca do quarto, as lágrimas não me deixando em paz. Então respondi sinceramente. Não podia inventar mais mentiras, aos poucos elas estavam me matando. Adormeci depois de responder. Não lembro que horas eram ou o dia que era. Só lembro que desejava não ter aquela conversa... Desejava não ter aqueles sentimentos... Desejava apenas poder respirar aliviada...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Mentiras


Não, eu não estou bem. Esse sorriso é só mais uma das enormes mentiras que invento. Você melhor do que ninguém devia saber disso, devia perceber quando eu estou mentindo descaradamente, afinal, disse que me conhecia. Também não sei se vou ficar bem, não adianta fazer perguntas estúpidas querendo respostas ainda mais estúpidas. Nada mais será como antes, e você mais do que ninguém tem absoluta certeza. E eu juro que tentei manter tudo bem entre nós, manter a coisa acontecendo, mas sozinha eu não consigo. Então não tente ser o menino certinho voltando agora, como se esse tempo que nos separou não tivesse existido. Pra mim ele existiu e foi uma merda. Tente consertar as coisas, mas não seja novamente covarde e suma da minha vida.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Imaginar


Já me imaginei com você em mil e uma situações. Conversando cara a cara sobre futilidades e comendo besteira, deitados numa rede só vendo o tempo passar, olhando em seus doces olhos enquanto você sorri envergonhada, roubando beijos em momentos inesperados. Já imaginei nosso primeiro encontro, a timidez tomando conta de ambos, nosso primeiro beijos nos fazendo rir e saindo perfeito só quando a calma se estabelece entre nós. Já te imaginei cantando num karaokê alguma música que dedicas a mim, uma daquelas que te mostrei tempos atrás. Já vivi e revivi milhões de beijos, suas mordidas, o jeito que segura minha mão sem me olhar e todos os olhares bobos e apaixonados que surgem do nada. Já sonhei conosco passando uma noite inteira acordados, falando das aventuras vividas em tão pouco tempo de vida, ou dos seus casos que me deixam enciumado mas que não demonstro. Já te imaginei chegando com alguma camisa nerd e com um lindo sorriso, e então você diz meu nome, aliviada com o encontro. Já imaginei seus dedos macios passeando por meu rosto, sua voz doce dizendo que me ama, fazendo-me ficar completamente enrubescido. Já nos vi sozinhos no quarto, você cantando pra mim, no meu show particular, todas aquelas músicas que remetem a nós, a você e eu, nossos olhares se cruzando e evidenciando aquela louca vontade de largar tudo e somente nos beijarmos... Aquela louca vontade de te ter logo aqui comigo.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Tola


Ele me chamou de linda e disse que eu era especial. Disse que estava apaixonado por mim e que me faria feliz até onde pudesse, ainda falou que seu sentimento por mim era nobre. Apaixonada como estava, acreditei sem contestar. Hoje não consigo entender como tudo isso se perdeu de um dia para o outro, como ele conseguiu mudar tão rapidamente. Acho que eu somente conhecia seu lado carinhoso, sem saber ao certo como ele era um homem complicado. Então, mais uma vez eu fui tola, acreditei sem pensar duas vezes. Hoje seu que não sou mais especial, sei que ele não está apaixonado – se é que algum dia esteve – e sei que nada será como antes. Fui tola. Completamente. No fim, palavras são somente palavras. E muitas vezes, não valem de nada.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Âmbar - Capítulo 8


Fazia tempo que não me sentia bem com minhas atitudes e não liguei para o fato de estar me agarrando com o garoto que mais odiava em uma sala fechada. Ele era bom no que fazia, isso era impossível negar.
-Diana, eu gosto de você... – disse entre os beijos. Paralisei na hora. Como assim ele “gostava de mim”? Ah meu Deus! – O que foi? – perguntou ao perceber minha cara de que não estava entendendo absolutamente nada. Continuei calada, olhando-o.
-Não compreendi o que você falou. – consegui dizer depois de alguns segundos, me esquivando de seus braços para vê-lo melhor.
-Eu disse que estou gostando de você. – falou com um sorriso simpático.
-Justamente isso que eu não entendi. – disse com uma risada nervosa. Minha cabeça gritando “Mano, o que tá acontecendo aqui?”
-É simples Diana: eu me apaixonei pela pessoa que você é desde o primeiro dia de aula, e já faz muito tempo que ando assim. Aconteceu e não posso mudar isso. – disse com um sorriso bobo. De repente, preferi mil vezes seu sorriso sarcástico.
-Ok Felipe, para de sacanear a minha cara. – falei rindo, apesar de que aquilo poderia ser mais uma das brincadeiras idiotas que ele tinha.
-Eu não estou te sacaneando. – respondeu sério. – Estou falando a verdade.
Muita informação para absorver de uma vez só, ainda mais vinda dele. Então senti culpa de ter deixado o beijo acontecer, como se tivesse sido o estopim de toda aquela conversa estranha. Para mim já bastava. Peguei minhas coisas e fui embora.

Me senti uma completa covarde. Sai do prédio onde dava aula e corri para casa meio desesperada. Meus pais não estavam em casa, mas ao entrar no quarto, tranquei a portas, minhas coisas sendo jogadas no chão. Sentei na cama e respirei fundo. Então tentei ligar para a pessoa que sempre me ajudava nesses casos: Thiago. Na décima ligação que parei pra pensar no que diria caso ele atendesse. “Ah Thiago, eu fiquei com um garoto que tem olhos iguais aos seus e depois ele disse que estava apaixonado por mim, daí eu sai correndo”. Que ótimo, pensei irônica. Desliguei o celular e o joguei para a outra ponta de minha cama. Eu precisava me acalmar e pensar direito. Deitei na cama e, exausta, acabei dormindo.

Acordei com meus pais fazendo um escândalo do lado de fora do meu quarto. Mamãe gritava meu nome com tanto medo na voz, que devia achar que eu tinha me matado. Levantei e quando abri a porta, pensei que ela ia me encher de pancada.
-Que droga Diana! – gritou me abraçando. – Por que trancou a porta menina?
Quando finalmente pude voltar a respirar, pedi licença a papai e resolvi contar uma parte da história – claro que não ia dizer que umas horas antes eu me agarrava com Felipe, então contei só que nos beijamos. Mamãe riu quando eu terminei e disse que quando namorava com papai, um cara muito interessante começou a dar em cima dela, mas que, por gostar mesmo do namorado, deu vários foras no garoto. Depois ela me disse que a situação comigo era um pouco parecida e que no fim a culpa de ter ficado com Felipe não era minha, muito menos o fato dele ter se apaixonado por mim. Eu só tinha que dizer a ele que não sentia nada reciproco. Mamãe então beijou minha cabeça e saiu do quarto.
Estava sem sono e sem vontade de ficar em casa, e decidi ir à casa de Felipe esclarecer aquela situação de uma vez por todas. O único problema foi que, ao pensar em Felipe, comecei a me sentir estranha, mas um estranho bom, como se eu estivesse me... apaixonando. Oh Deus!

Liguei para Laura na esperança dela ter o endereço de Felipe, o que se concretizou, já que todas as fanáticas sabiam onde ele morava. Cidade pequena dá nisso. Laura me encheu de perguntas, querendo saber que eu ia fazer na casa do cara que eu mais odiava. Quando respondi que ia resolver uns problemas, ela me respondeu com um “Sei” bem sugestivo. Ignorei e disse que depois lhe contava tudo.
Saí de casa dizendo a meus pais que resolveria aquela situação de uma vez por todas sem fugir, como fizera mais cedo, quando Felipe contou o que sentia. Além de afirmar para ele que não havia e nem haveria nada entre nós, eu afirmaria para mim que aquele sentimento não existia. Fui a pé, pensando nas formas de dizer sem desapontá-lo muito. O que menos queria naquele momento era lidar com alguém de coração partido, o meu já bastava.
Cheguei em frente a residência dele e respirei profunda e lentamente, tentando manter meu coração calmo. Então apertei a campainha e esperei. A vã tentativa de manter as batidas do coração desaceleradas. Não demorou até Felipe abrir a porta e me olhar com um sorriso acolhedor.
-Olá Diana. – disse. Eu não consegui olhar diretamente em seus olhos. Ver aquela decepção neles, igual a de Thiago na despedida...
-Felipe, precisamos conversar. – consegui dizer, mesmo com a voz não querendo sair.
-Tudo bem. – respondeu ficando sério. Provavelmente ele já sabia o que eu ia falar. Quando estava prestes a começar meu discurso, uma voz o chamou de dentro da casa e foi se aproximando. A porta se abriu e a pessoa falou algo que não compreendi porque pela terceira vez no dia eu congelei.
-Diana. – o dono da voz falou com lágrimas nos olhos ao me ver e me abraçou com força. – Que falta você me fez menina. – disse em meu ouvido. Eu não sabia o que fazer, então comecei a chorar. Porque era Thiago quem me abraçava naquele momento.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Óbvio


Eles andavam de mãos dadas, conversando e sorrindo. Chegaram até o fim do caminho, onde havia um pequeno palco a céu aberto, então ela teve uma ideia e sorriu, puxando-o pela mão até o banco, fazendo-o sentar. Andou até o palco e pôs-se de pé para que todos a vissem.
-Bom início de noite, senhoras e senhores. Que lindo pôr do sol, não? Melhor ainda se você estiver acompanhado de alguém e apaixonado por essa pessoa. E eu posso dizer isso com plena certeza. Amor... O que é isso se não a certeza de estar sempre protegido? Nós humanos temos medo daquilo que pode fracassar, é natural. Temos medo de nos apaixonar, de ser magoado pelo outro e até de magoar esse outro. Mas aí encontramos alguém. E esse alguém te promete o mundo somente com o olhar, promete te fazer a pessoa mais feliz da face da Terra e você acredita. E aos poucos, - ela saiu do palco e foi em direção a ele, fazendo o gesto de pegar seu coração, entregando em suas mãos. – você entrega o que tem de mais precioso para essa pessoa. Porque sabe que ele pode cuidar tão bem quanto você cuida. – e sorriu, voltando ao lugar de onde saíra. – E por mais que essa pessoa diga que não pode fazer nada disso, você apenas sabe... Apenas sabe que quer passar a vida inteira com ela...
As pessoas começaram a aplaudir e ela se curvou, agradecendo a todos por ouvi-la. Desceu do palco e olhou para ele, que falava com um homem qualquer que partiu quando ela se aproximou, sem antes parabeniza-la. Ele segurou sua mão e voltaram a andar como dois namorados completamente apaixonados.
-O que aquele senhor lhe disse? – perguntou sorridente. Ele começou a ficar vermelho e a puxou para um lugar vazio, somente para beijá-la carinhosamente. Ela sabia que quando ele agia assim, era porque queria esconder a vergonha que sentia no momento.
-Você ainda continua vermelho. – riu. – O que ele disse pra te deixar assim?
-Pra eu nunca te perder... Porque igual a você não vou mais encontrar. – respondeu-lhe.
-Homem sábio. – falou rindo mais ainda. Então ela o beijou mais uma vez e disse que o amava. Ele passou os dedos pelo rosto macio e sorriu envergonhado. E em seu coração, afirmou o óbvio: que também a amava.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Somente o tempo


Ele não ficou. Após ter feito com que eu me apaixonasse perdidamente, ele resolveu se ausentar depois de um simples pedido meu: que ficasse presente. Eu sabia que o futuro era incerto, eu sabia que muita coisa poderia acontecer, mas fui egoísta comigo mesma e pedi. As conversas que duravam quase o dia inteiro, a minha luta para ficar acordada muitas noites somente para conversarmos, os sorriso e gestos afundaram-se na areia movediça do tempo. Ainda me recordo dos primeiros dias quando disse-lhe que meu erro era sempre me jogar sem preocupar com o chão e ele disse que não me deixaria cair nunca. Nos últimos dias o discurso já era outro, ele já não queria me deixar pular. Só que eu já havia pulado há bastante tempo. E nesse momento cheguei ao chão e a dor foi terrível. Naquele dia não houve fim estabelecido em palavras. Houve somente o tempo... O tempo da ausência. E esse foi o fim.