quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Rei Artur


Olhei-te e não consegui ficar sem sorrir. Você era um dos poucos que merecia a minha atenção, um dos poucos que merecia que lhe dirigisse uma palavra. Eu te salvei. Fizemos promessas: você que não faria nenhuma besteira e eu que cuidaria de ti. Olhou-me e não conseguiu segurar a vergonha. E ri daquela atitude.
-Vem cá... – falei, estendendo a mão. Estava sentada na cama e você se aproximou, deitando-se em meu colo. Comecei a fazer um cafuné que te deixou ainda mais com sono. Disse algo que te fez rir. Eu adorava colocar um sorriso nesse teu rosto sério. Comecei a cantar uma daquelas canções de ninar e seus olhos se fecharam, tentando em vão, não finalizarem esse ato. Você dormiu em meu colo como uma criança. E, no silêncio, prometi nunca te abandonar.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

O Fato de Desejar


Meus pés ficaram gelados rapidamente. Lágrimas começaram a surgir de meus olhos. Meu coração disparou. Não havia motivo para tanto, eu sabia disso. Mas mesmo assim não consegui me conter. Li cada palavra como se fossem as últimas, desejando que o fim não estivesse explícito. Não aguentaria tanto. Olhei o ponto -que não era o ponto final- e senti uma mistura de coisas me invadir. Senti ódio, saudade, tristeza... Vontade de responder com alguma palavra suja e com significado torpe. Não fiz isso, apenas chorei, igual aos outros dias em que chorava por causa de lembranças. O vento levou meu cabelo até os olhos e pequenas mexas ficaram presas em minha bochecha, no rastro que as lágrimas deixavam. Sorri meu pior sorriso. Deitei-me na cama e virei o rosto para a parede branca do quarto, as lágrimas não me deixando em paz. Então respondi sinceramente. Não podia inventar mais mentiras, aos poucos elas estavam me matando. Adormeci depois de responder. Não lembro que horas eram ou o dia que era. Só lembro que desejava não ter aquela conversa... Desejava não ter aqueles sentimentos... Desejava apenas poder respirar aliviada...

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Mentiras


Não, eu não estou bem. Esse sorriso é só mais uma das enormes mentiras que invento. Você melhor do que ninguém devia saber disso, devia perceber quando eu estou mentindo descaradamente, afinal, disse que me conhecia. Também não sei se vou ficar bem, não adianta fazer perguntas estúpidas querendo respostas ainda mais estúpidas. Nada mais será como antes, e você mais do que ninguém tem absoluta certeza. E eu juro que tentei manter tudo bem entre nós, manter a coisa acontecendo, mas sozinha eu não consigo. Então não tente ser o menino certinho voltando agora, como se esse tempo que nos separou não tivesse existido. Pra mim ele existiu e foi uma merda. Tente consertar as coisas, mas não seja novamente covarde e suma da minha vida.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Imaginar


Já me imaginei com você em mil e uma situações. Conversando cara a cara sobre futilidades e comendo besteira, deitados numa rede só vendo o tempo passar, olhando em seus doces olhos enquanto você sorri envergonhada, roubando beijos em momentos inesperados. Já imaginei nosso primeiro encontro, a timidez tomando conta de ambos, nosso primeiro beijos nos fazendo rir e saindo perfeito só quando a calma se estabelece entre nós. Já te imaginei cantando num karaokê alguma música que dedicas a mim, uma daquelas que te mostrei tempos atrás. Já vivi e revivi milhões de beijos, suas mordidas, o jeito que segura minha mão sem me olhar e todos os olhares bobos e apaixonados que surgem do nada. Já sonhei conosco passando uma noite inteira acordados, falando das aventuras vividas em tão pouco tempo de vida, ou dos seus casos que me deixam enciumado mas que não demonstro. Já te imaginei chegando com alguma camisa nerd e com um lindo sorriso, e então você diz meu nome, aliviada com o encontro. Já imaginei seus dedos macios passeando por meu rosto, sua voz doce dizendo que me ama, fazendo-me ficar completamente enrubescido. Já nos vi sozinhos no quarto, você cantando pra mim, no meu show particular, todas aquelas músicas que remetem a nós, a você e eu, nossos olhares se cruzando e evidenciando aquela louca vontade de largar tudo e somente nos beijarmos... Aquela louca vontade de te ter logo aqui comigo.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Tola


Ele me chamou de linda e disse que eu era especial. Disse que estava apaixonado por mim e que me faria feliz até onde pudesse, ainda falou que seu sentimento por mim era nobre. Apaixonada como estava, acreditei sem contestar. Hoje não consigo entender como tudo isso se perdeu de um dia para o outro, como ele conseguiu mudar tão rapidamente. Acho que eu somente conhecia seu lado carinhoso, sem saber ao certo como ele era um homem complicado. Então, mais uma vez eu fui tola, acreditei sem pensar duas vezes. Hoje seu que não sou mais especial, sei que ele não está apaixonado – se é que algum dia esteve – e sei que nada será como antes. Fui tola. Completamente. No fim, palavras são somente palavras. E muitas vezes, não valem de nada.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Âmbar - Capítulo 8


Fazia tempo que não me sentia bem com minhas atitudes e não liguei para o fato de estar me agarrando com o garoto que mais odiava em uma sala fechada. Ele era bom no que fazia, isso era impossível negar.
-Diana, eu gosto de você... – disse entre os beijos. Paralisei na hora. Como assim ele “gostava de mim”? Ah meu Deus! – O que foi? – perguntou ao perceber minha cara de que não estava entendendo absolutamente nada. Continuei calada, olhando-o.
-Não compreendi o que você falou. – consegui dizer depois de alguns segundos, me esquivando de seus braços para vê-lo melhor.
-Eu disse que estou gostando de você. – falou com um sorriso simpático.
-Justamente isso que eu não entendi. – disse com uma risada nervosa. Minha cabeça gritando “Mano, o que tá acontecendo aqui?”
-É simples Diana: eu me apaixonei pela pessoa que você é desde o primeiro dia de aula, e já faz muito tempo que ando assim. Aconteceu e não posso mudar isso. – disse com um sorriso bobo. De repente, preferi mil vezes seu sorriso sarcástico.
-Ok Felipe, para de sacanear a minha cara. – falei rindo, apesar de que aquilo poderia ser mais uma das brincadeiras idiotas que ele tinha.
-Eu não estou te sacaneando. – respondeu sério. – Estou falando a verdade.
Muita informação para absorver de uma vez só, ainda mais vinda dele. Então senti culpa de ter deixado o beijo acontecer, como se tivesse sido o estopim de toda aquela conversa estranha. Para mim já bastava. Peguei minhas coisas e fui embora.

Me senti uma completa covarde. Sai do prédio onde dava aula e corri para casa meio desesperada. Meus pais não estavam em casa, mas ao entrar no quarto, tranquei a portas, minhas coisas sendo jogadas no chão. Sentei na cama e respirei fundo. Então tentei ligar para a pessoa que sempre me ajudava nesses casos: Thiago. Na décima ligação que parei pra pensar no que diria caso ele atendesse. “Ah Thiago, eu fiquei com um garoto que tem olhos iguais aos seus e depois ele disse que estava apaixonado por mim, daí eu sai correndo”. Que ótimo, pensei irônica. Desliguei o celular e o joguei para a outra ponta de minha cama. Eu precisava me acalmar e pensar direito. Deitei na cama e, exausta, acabei dormindo.

Acordei com meus pais fazendo um escândalo do lado de fora do meu quarto. Mamãe gritava meu nome com tanto medo na voz, que devia achar que eu tinha me matado. Levantei e quando abri a porta, pensei que ela ia me encher de pancada.
-Que droga Diana! – gritou me abraçando. – Por que trancou a porta menina?
Quando finalmente pude voltar a respirar, pedi licença a papai e resolvi contar uma parte da história – claro que não ia dizer que umas horas antes eu me agarrava com Felipe, então contei só que nos beijamos. Mamãe riu quando eu terminei e disse que quando namorava com papai, um cara muito interessante começou a dar em cima dela, mas que, por gostar mesmo do namorado, deu vários foras no garoto. Depois ela me disse que a situação comigo era um pouco parecida e que no fim a culpa de ter ficado com Felipe não era minha, muito menos o fato dele ter se apaixonado por mim. Eu só tinha que dizer a ele que não sentia nada reciproco. Mamãe então beijou minha cabeça e saiu do quarto.
Estava sem sono e sem vontade de ficar em casa, e decidi ir à casa de Felipe esclarecer aquela situação de uma vez por todas. O único problema foi que, ao pensar em Felipe, comecei a me sentir estranha, mas um estranho bom, como se eu estivesse me... apaixonando. Oh Deus!

Liguei para Laura na esperança dela ter o endereço de Felipe, o que se concretizou, já que todas as fanáticas sabiam onde ele morava. Cidade pequena dá nisso. Laura me encheu de perguntas, querendo saber que eu ia fazer na casa do cara que eu mais odiava. Quando respondi que ia resolver uns problemas, ela me respondeu com um “Sei” bem sugestivo. Ignorei e disse que depois lhe contava tudo.
Saí de casa dizendo a meus pais que resolveria aquela situação de uma vez por todas sem fugir, como fizera mais cedo, quando Felipe contou o que sentia. Além de afirmar para ele que não havia e nem haveria nada entre nós, eu afirmaria para mim que aquele sentimento não existia. Fui a pé, pensando nas formas de dizer sem desapontá-lo muito. O que menos queria naquele momento era lidar com alguém de coração partido, o meu já bastava.
Cheguei em frente a residência dele e respirei profunda e lentamente, tentando manter meu coração calmo. Então apertei a campainha e esperei. A vã tentativa de manter as batidas do coração desaceleradas. Não demorou até Felipe abrir a porta e me olhar com um sorriso acolhedor.
-Olá Diana. – disse. Eu não consegui olhar diretamente em seus olhos. Ver aquela decepção neles, igual a de Thiago na despedida...
-Felipe, precisamos conversar. – consegui dizer, mesmo com a voz não querendo sair.
-Tudo bem. – respondeu ficando sério. Provavelmente ele já sabia o que eu ia falar. Quando estava prestes a começar meu discurso, uma voz o chamou de dentro da casa e foi se aproximando. A porta se abriu e a pessoa falou algo que não compreendi porque pela terceira vez no dia eu congelei.
-Diana. – o dono da voz falou com lágrimas nos olhos ao me ver e me abraçou com força. – Que falta você me fez menina. – disse em meu ouvido. Eu não sabia o que fazer, então comecei a chorar. Porque era Thiago quem me abraçava naquele momento.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Óbvio


Eles andavam de mãos dadas, conversando e sorrindo. Chegaram até o fim do caminho, onde havia um pequeno palco a céu aberto, então ela teve uma ideia e sorriu, puxando-o pela mão até o banco, fazendo-o sentar. Andou até o palco e pôs-se de pé para que todos a vissem.
-Bom início de noite, senhoras e senhores. Que lindo pôr do sol, não? Melhor ainda se você estiver acompanhado de alguém e apaixonado por essa pessoa. E eu posso dizer isso com plena certeza. Amor... O que é isso se não a certeza de estar sempre protegido? Nós humanos temos medo daquilo que pode fracassar, é natural. Temos medo de nos apaixonar, de ser magoado pelo outro e até de magoar esse outro. Mas aí encontramos alguém. E esse alguém te promete o mundo somente com o olhar, promete te fazer a pessoa mais feliz da face da Terra e você acredita. E aos poucos, - ela saiu do palco e foi em direção a ele, fazendo o gesto de pegar seu coração, entregando em suas mãos. – você entrega o que tem de mais precioso para essa pessoa. Porque sabe que ele pode cuidar tão bem quanto você cuida. – e sorriu, voltando ao lugar de onde saíra. – E por mais que essa pessoa diga que não pode fazer nada disso, você apenas sabe... Apenas sabe que quer passar a vida inteira com ela...
As pessoas começaram a aplaudir e ela se curvou, agradecendo a todos por ouvi-la. Desceu do palco e olhou para ele, que falava com um homem qualquer que partiu quando ela se aproximou, sem antes parabeniza-la. Ele segurou sua mão e voltaram a andar como dois namorados completamente apaixonados.
-O que aquele senhor lhe disse? – perguntou sorridente. Ele começou a ficar vermelho e a puxou para um lugar vazio, somente para beijá-la carinhosamente. Ela sabia que quando ele agia assim, era porque queria esconder a vergonha que sentia no momento.
-Você ainda continua vermelho. – riu. – O que ele disse pra te deixar assim?
-Pra eu nunca te perder... Porque igual a você não vou mais encontrar. – respondeu-lhe.
-Homem sábio. – falou rindo mais ainda. Então ela o beijou mais uma vez e disse que o amava. Ele passou os dedos pelo rosto macio e sorriu envergonhado. E em seu coração, afirmou o óbvio: que também a amava.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Somente o tempo


Ele não ficou. Após ter feito com que eu me apaixonasse perdidamente, ele resolveu se ausentar depois de um simples pedido meu: que ficasse presente. Eu sabia que o futuro era incerto, eu sabia que muita coisa poderia acontecer, mas fui egoísta comigo mesma e pedi. As conversas que duravam quase o dia inteiro, a minha luta para ficar acordada muitas noites somente para conversarmos, os sorriso e gestos afundaram-se na areia movediça do tempo. Ainda me recordo dos primeiros dias quando disse-lhe que meu erro era sempre me jogar sem preocupar com o chão e ele disse que não me deixaria cair nunca. Nos últimos dias o discurso já era outro, ele já não queria me deixar pular. Só que eu já havia pulado há bastante tempo. E nesse momento cheguei ao chão e a dor foi terrível. Naquele dia não houve fim estabelecido em palavras. Houve somente o tempo... O tempo da ausência. E esse foi o fim.