sábado, 23 de fevereiro de 2013

Discurso


"Senhores professores e professoras; caros colegas formandos; senhoras e senhores aqui presentes, boa noite!
É com extrema felicidade que estamos aqui reunidos para comemorar mais esta vitória adquirida em nossas vidas, uma de muitas que ainda virão. Mas para isso julgamos ser necessário recordar alguns momentos, como nossos jogos internos, cuja abertura nos fantasiamos de cangaceiros e fizemos nosso máximo; a festa junina, onde tivemos a ilustríssima presença de Lady Gaga e Vera Verão na quadrilha maluca; os listões, onde comemoramos com muita festa.
Em nossa turma também tivemos muitas ocasiões que nos marcaram demasiadamente: as novas amizades construídas devido as reenturmações; a cooperação em dias de estudo; os elogios e as broncas que levamos durante o ano todo e a reciprocidade de muitos de nossos professores.
A partir dessas lembranças faremos projeções para o futuro, vendo-nos daqui a apenas alguns anos, realizados profissionalmente.
Então como hoje é dia de celebração e propício a agradecimentos, queremos agradecer primeiramente a Deus, pois sem Ele nada disso seria possível.
Queremos agradecer também a oportunidade dada a nós para representar nossos amigos da turma 3001 do Convênio Sophos 2011.
Aos nossos pais, familiares e aos funcionários diversos do colégio que, por mais que não estejam aqui presentes, merecem nossa imensa gratidão.
Ao nosso paraninfo, professor Alcemir Maia, por ter aceitado estar conosco nesta data tão importante.
À nossa coordenação do Convênio e aos professores e professoras por todo o ensino e aprendizado que nos transmitiram ao longo deste ano. Com eles, aprendemos muito mais do que estava em nossa grade curricular. Aprendemos a ter confiança em nós mesmo e que no final tudo daria certo."

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Âmbar - Capítulo 9


Juro que naquele momento eu só queria fugir. De novo. Mas ver Thiago depois de longos meses tentando afastá-lo foi tão bom, que acabei ignorando o fato de estar na casa de Felipe por alguns minutos. Ele me deu um abraço gostos e apertado e um leve beijo nos lábios, que me fez olhar para Felipe imediatamente e ver a cara de quem não queria estar presenciando aquela cena.
Aí a ficha caiu. O que Thiago fazia na casa de Felipe?
-Somos primos. – respondeu. Olhei para os dois indignada.
-Então quando eu bebi, foi você quem ligou para o Thiago? – perguntei apontando para Felipe que ainda permanecia calado. Ele somente concordou com a cabeça.
-Bem Diana, na verdade foi Felipe e Laura. Antes de ir embora conversei com os dois e como ele se mudou pra cidade na época que eu fui, pedi pra ele tomar conta de você, mas sem te contar absolutamente nada.
Deus sabe a raiva que senti naquele momento. “Cuidar de mim”? Por favor! Acho que, pelo jeito que eles estavam, Felipe ainda não tinha contado ao primo o que havia acontecido entre nós. Saber que eles eram parentes complicava ainda mais minha situação.
-Eu voltei de vez, Diana. Voltei pra poder ficar finalmente com você. – Thiago falou sorrindo e, dada a situação, não sabia mais se poderia ficar feliz.

Eles me convidaram para entrar enquanto Thiago tomaria banho e se arrumaria para sair comigo. Fiquei sozinha na sala com Felipe, a situação constrangedora.
-O que você queria falar comigo? – me perguntou após vários minutos. Eu não sabia o que pensar, imagine então o que dizer.
-Não era nada. – respondi ainda sem olhá-lo. Felipe levantou da poltrona e sentou ao meu lado, tão próximo que sentia sua respiração em minha nuca.
-Você não viria até minha casa para nada e nem ao menos sabia que Thiago estava aqui. Tenho certeza que tem algo haver com o que nos aconteceu, ou você já esqueceu que estávamos nos agarrando hoje? – pude sentir a dureza misturada com a malícia em sua voz. Dito isso, Felipe deu um leve beijo em meu pescoço, fazendo com que todo o meu corpo fosse percorrido por vários calafrios. A sensação de perigo pelo fato de Thiago estar no andar de cima me deixou com mais vontade de beijar Felipe naquele momento. Finalmente o olhei nos olhos, minha respiração super ofegante. Então ouvi barulho de passos na escada e num movimento rápido, levantei.
-Desgraçado. – murmurei, o coração batendo tão rápido que precisei fechar os olhos e respirar fundo. Mais calma, vi Thiago se aproximar e Felipe dar um daqueles sorrisos irônicos. Sai de lá aliviada por me afastar do clima tenso, mas ainda continuava com um pouco de medo. Eu teria que contar tudo o que acontecera nos meses fora, porque pelo jeito ele tinha voltado de vez.
-Senti sua falta. – disse segurando minha mão e dando um leve sorriso.
-Thiago, por que você não respondia minhas tentativas de comunicação? – perguntei meio triste.
-Pra mim, aquela nossa despedida foi realmente a despedida. O fato de não poder te tocar ou beijar me matariam aos poucos, então decidi para nosso próprio bem que fazer isso, ignorar, seria melhor. Sei que foi uma atitude estupida e egoísta, mas ela tem um fundo de razão. O problema foi que não aguentei, eu precisava voltar o mais rápido possível pra poder te sentir. Pra poder fazer isso. – tomei um susto quando Thiago agarrou minha cintura e me levou até uma ruazinha calma para me beijar. Rapidamente fiquei sem folego e tonta, coisa que só ele sabia como fazer. Thiago abriu aqueles olhos que eu tanto amava e não resisti. Dei um sorriso tão grande que minhas bochechas até doeram. Começamos a correr até a praia, parecendo duas crianças. Com ele tudo ficava descomplicado e eu vivia sem char que poderia piorar num milésimo de segundo. Ganhei a corrida e me permiti sentar na areia, meu sorriso se desfazendo aos poucos.
-O que foi? Não está gostando? – perguntou-me após sentar.
-Temos muito que conversar... – falei olhando para as ondas distantes.
-Temos? – perguntou com um sorriso. E eu sabia que estava prestes a não ver o sorriso por algumas horas, pelo menos.
-Aconteceram certas coisas. – suspirei. – Muitas coisas. A mais importante delas foi que me apaixonei pelo seu primo. Cometi a estupidez de me apaixonar pelo Felipe. – e olhei para Thiago, que rapidamente ficou sério.
Adeus lindo sorriso.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Rodopiar


Seus cabelos esvoaçaram com o vento, arrancando-lhe instantaneamente um sorriso. Eu não resisti. Ela pousou os olhos escuros em meu rosto e sorriu novamente, mas agora envergonhada, o que me fez dar um longo suspiro. Perguntou-me se eu não iria tirar mais fotos. Acordei do transe que era olhar para seu rosto meigo e levantei a câmera, capturando seu jeitinho de menina levada. Eu a adorava. O vestido branco rodopiou e pude ver suas pernas alvas, seu corpo pequeno e frágil se agitando numa risada gostosa de se ouvir. Aproximando-se, pegou gentilmente a câmera de minhas mãos, olhando cada foto atenciosamente, franzindo o pequeno nariz com as que não gostava e pedindo para apagá-las. Respondi que estavam perfeitas. E não somente as fotos. Ela enrubesceu de imediato, devolvendo-me a câmera e se afastando. Comecei a cantarolar enquanto a clicava de costas na paisagem linda em que estávamos. Devagar, ela parou e virou o rosto para mim, o sorriso estampado no meio do cabelo preto que eu tanto amava. “Diga” falou virando-se completamente e voltando para perto de mim. Ela baixou a mão que segurava a máquina e olhou em meus olhos bem de perto. “Diga”, repetiu. Fiquei calado por um bom tempo. Sabia que não era necessário dizer o que era evidente. Num lampejo de coragem, somente a beijei. E ela sorriu com isso.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Nossos pés


O sol raiou e os dois acordaram juntos. Ela esfregou um dos pés nos dele e sorriu por finalmente poder fazer aquilo. No dia anterior, declararam o amor que sentiam um pelo outro, o que demorou certo tempo pra acontecer. O primeiro segurar de mãos, o primeiro beijo... Lábios que haviam finalmente se tocado, necessitados. O que antes era um simples sonhos que poderia nunca acontecer, se tornara algo real e lindo. Ela o olhou e começou a beijar levemente o rosto do amado, fazendo-o acordar.
-Essa é a primeira vez que acordo feliz. – ele disse, um sorriso começando a surgir. – Tenho motivos, afinal. – e beijou-lhe a testa.
Ela continuou sorrindo e deitou a cabeça em seu peito, o coração dele meio acelerado. Queria proporcionar-lhe aquilo para sempre e, se ele permitisse, o faria com certeza.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Fazer o que?


Minha mala já estava pronta. Ela não se encontrava tão cheia, poucas roupas básicas, meus dois All Stars e um salto alto. Acompanhado de um vestido, é claro. Eu tinha uma vaga noção da sua reação ao me ver com ele e queria muito ver sua expressão admirada. Prestes a sair de casa, o telefone tocou.
-Precisamos conversar. – falou sério, do outro lado da linha.
-Quando eu chegar, conversamos. Já estava de saída. – respondi com um sorriso.
-Largue essa mala e me escute. – ordenou, o que me fez estancar na hora. Soltei a mala e sentei, ele ainda em silêncio. Diversas coisas passaram por minha cabeça e comecei a entrar em pânico.
-Por favor... – sussurrei. – Não...
-O que?
-Nada. – tornei a meu tom de voz normal. – O que foi?
-Só queria pedir... Que não demore a chegar, porque eu preciso te ver logo. – disse com um tom de voz calmo, me deixando completamente aliviada.
-Bobo. – respondi rindo.
-Seu bobo...
Disse que não demoraria e saí correndo. Ele era o maior idiota do mundo. Mas eu o amava, fazer o que?