sábado, 20 de julho de 2013

Âmbar - Capítulo 10.2 - Extra Felipe


Quando me mudei recebi uma “missão” de meu primo. Teria que ficar de olho numa garota chamada Diana, que por coincidência seria de minha turma na escola. Thiago, um dos meus primos mais chegados, disse que não iria mais se comunicar com ela  enquanto estivesse longe e que isso poderia ocasionar certas loucuras da menina. Sempre tive um lado meio protetor por mais que não aparentasse e, por causa disso, prometi que cuidaria dela até onde fosse possível.
Não tinha quase nenhuma noção de como era a garota, as únicas descrições que me foram dadas, foram o cabelo ruivo e os olhos claros, além de que era uma das pessoas que mais se destacava na sala. Então, finalmente conhece-la foi sublime. Diana era linda, apesar de estar com uma aparência horrível no primeiro dia. Sentei numa mesa onde pudesse observá-la direito e percebi que passou o tempo todo com o olhar cabisbaixo. Pelo visto, Thiago havia destroçado o coração da pobre e linda Diana.
Na saída, me aproximei para tentar conversar com ela e, na exata hora que ia pronunciar um “oi”, fui acertado em cheio com a porta do armário da menina com muita força. De imediato sentei no chão e fiquei ouvindo os pedidos de desculpas da garota. Eu até riria se não estivesse sentindo dor. Diana estancou o sangue de meu nariz e começou a agir estranhamente quando a olhei. Sabia que não havia sido meu olhar sedutor porque a situação não me permitia e muito menos meu olhar de “cachorro pidão”. Provavelmente tinha sido a herança que eu e Thiago herdamos de nossa avó: os olhos cor de âmbar. Ao me dirigir para o banheiro, Diana perguntou meu nome e eu respondi citando o dela. Tenho certeza que a deixei bem curiosa – e furiosa – quanto a isso, o que se concretizou no dia seguinte, quando levei um baita “chega pra lá”. Havia acabado de assinar minha sentença de ser humano odiado. Eu só fiz sorrir.
De todo, o fato mais tenso foi vê-la bêbada sem nem ao menos conseguir ficar em pé. Na minha função de "guardião” tive que ligar para Thiago e contar o que acontecera. Lógico que não mencionei que debochei dela por estar porre, o que a deixou imensamente enraivada. E ver Diana se desculpar, já sóbria, no dia seguinte, me deixou meio desconcertado. E cada vez mais eu gostava dessa garota.
Minha maior provocação foi na primeira aula de teatro que participei. Sabia que era Diana quem lecionava para o primeiro ano e fiz questão de me inscrever para perturbá-la. Adorei quando me ameaçou caso roubasse seu colar. Um dos momentos mais divertidos. O jogo de xadrez foi mais para ela descobrir quem eu realmente era e o que queria afinal, eu já tinha vaga noção do que havia acontecido entre ela e meu primo. Foi emocionante quando ela disse que o fim daquele jogo era somente o começo de seu ódio. E cada vez mais eu me apaixonava.
Na última aula de teatro, pedi perdão pelo modo como agia e comecei a dar em cima dela. Pela primeira vez em muito tempo me permiti ser um cara normal, que realmente estava interessado numa garota. Sedutor, a prendi contra a parede e esperei que tudo desse certo. A beijei várias vezes até que ela finalmente cedeu e correspondeu meu beijo. Mas fiz a besteira de revelar meus sentimentos de imediato, o que a fez correr.
Andei por horas na rua, tentando entender toda a situação que havia me metido e fiquei surpreso ao chegar em casa e encontrar Thiago sentado no sofá de “mala e cuia”.  Rapidamente ele me explicou que voltara de vez e fiquei chateado por perceber que minha situação com Diana pioraria, já que seu amado havia retornado à seus braços. Enquanto conversávamos, a campainha tocou e eu corri para atender. Diana estava linda com os cabelos soltos, apesar do olhar meio distante e, antes que ela pudesse dizer o que fazia em minha casa, Thiago foi me chamar e a viu. Ali, eu percebi que minhas chances haviam acabado.
Convidei-a para entrar e esperar, enquanto Thiago tomaria banho. Comecei a questioná-la sobre o que fazia em minha casa uma hora daquelas e como desviou do assunto, resolvi atacar. Tinha plena convicção de como mexia com Diana e isso me deixava bem feliz.
É, parece que ainda tenho chances sim.