sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Botas Batidas



"Amar o perdido
deixa confundido
este coração.
Nada pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.
As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão
Mas as coisas findas
muito mais que lindas,
essas ficarão."

Memória - Carlos Drummond de Andrade
4 meses ♥

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Untitled III


Saímos do carro e fomos para a estação de metrô. Você pediu licença e foi ao banheiro, enquanto ficava olhando para o trânsito do lado de fora. Eu não me sentia em um lugar estranho, apesar de nunca ter pisado naquelas terras. Para mim, tudo parecia normal e estava bem. Claro que se estivesse sozinha me sentiria completamente perdida, mas não havia necessidade de ficar daquele jeito. Porque eu tinha você... Então, saindo de meus devaneios, te vi se aproximar, aquele jeito meio desleixado de andar. Em seguida, beijou-me de um jeito desesperado, como se precisasse daquele beijo, como se ansiasse por meus lábios. E eu te compreendia porque precisava dos seus tanto quanto o oposto. Te olhei e sorri, aquela satisfação por poder finalmente fazer o que tanto quis durante meses...

domingo, 8 de setembro de 2013

Untitled II


Sentei no banco de trás do carro e você no do carona. O motorista falava comigo e me dava as boas vindas por ter chegado a cidade, me situava em certas situações e falava sobre nosso trabalho. Mas meus olhos toda hora iam para sua nuca, vendo o jeito meio largado que ficou no banco, como se estivesse cansado de alguma coisa. Mas eu sabia o que era: o alívio por ter me encontrado.  Não que eu estivesse me achando ou algo assim, eu só sabia o que você estava sentindo naquele momento, porque sentia o mesmo. Vez e outra me olhavas, aquele olhar completamente bobo que eu tanto ansiei ver... E não podendo fazer nada do lugar onde estava, esticava minha mão e acariciava levemente seu ombro ou seu rosto, vendo aquele sorriso que tanto amava surgir em seu rosto, seus olhos fechando devagar, aproveitando meu toque, sentindo os segundos passarem... Estávamos juntos. E estávamos completamente felizes. Poder te tocar me bastava naquele singelo momento.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Untitled I


Meu coração estava acelerado. Te vi sair do carro e caminhar, o sorriso bobo nunca antes visto estampado em nossos rostos. Cada vez mais perto... A vontade de correr tomava conta de nós, mas continuei parada com medo de qualquer reação involuntária de meu corpo. Então, num piscar de olhos, senti tuas mãos em minhas costas, o aperto necessitado do abraço tão e sempre desejado. Devo ter falado algo, não me recordo, só lembro-me do seu toque, do cheiro do seu pescoço, do seu corpo trêmulo e do nervosismo que emanava de você, do leve beijo que demos... De olhar em seus olhos, tão de perto, e não conseguir arrancar o sorriso de satisfação em te encontrar. Não existe palavra em qualquer língua desse nosso vasto universo que defina o que senti. Não existe pessoa no mundo que compreenda. Talvez, unicamente, você.