sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Âmbar - Capítulo 12


Felipe caminhou comigo até minha casa e segurava minha mão como se fossemos namorados. Era uma sensação gostosa e que valia a pena devido nossa história. Ao nos aproximarmos de minha residência senti um terrível desconforto. Thiago estava sentado na frente de casa, esperando-me e fez uma cara muito tensa quando viu nossos dedos entrelaçados.  Olhei para Felipe e ele entendeu o recado. Beijou-me levemente e foi embora. Me aproximei de Thiago e suspirei.
-Não vou discutir contigo aqui fora. - falei passando por ele e entrando em casa. Larguei minha mochila no sofá e virei-me para Thiago, que já fechava a porta.
-Surpreendente isso. - disse apontando para a rua, para a cena que acabara de ver.
-Sim, surpreendente viver minha vida. - disse ironicamente. - O que veio fazer aqui?
-Conversar, Diana. Vim conversar sobre nós, sobre você e Felipe, mas parece que já tomou sua decisão. - suspirou.
Não Thiago, tudo o que eu falei ontem continua firme: ainda te amo, mas gosto do Felipe. Se você disser “quero ficar contigo” eu fico e pronto, mas você mesmo disse que enquanto eu não me decidir, não ficaremos juntos e enquanto isso, vou aproveitar ao máximo o tempo perdido. - respondi decidida. Me senti extremamente confiante em minha atitude.
-Você... me ama? - perguntou se aproximando.
-É lógico Thiago! - exclamei começando a ficar com raiva. - Eu sofri durante meses por tua causa. Te amo seu idiota. - quase gritei. Vi ele se aproximar de mim num lampejo e me agarrar. Seus dedos puxaram os fios do cabelo da minha nuca e ele apertou nossos corpos. Ser agarrada por dois dos mais lindos garotos da cidade no mesmo dia era bem tenso, mas não era como se não gostasse. Apesar de parentes, eram diferentes e eu amava aquela diferença.
-Droga Diana! - exclamou, ofegante e me olhando bem de perto, sem desgrudar de mim. - Eu te amo demais. - e me deu mais um beijo desesperado. - Demais...
Naquele momento posso ter tido a pior ideia da minha vida. Segurei a mão de Thiago e o arrastei até meu quarto, trancando-nos em seguida.

Thiago já estava sem camisa e deitado em cima de mim na cama. Sua fama de pegador realmente se mostrava ser a mais pura verdade. Ele não era ser só mais um rostinho bonito da cidade: era um corpo bonito também. Eu já o tinha visto sem camisa num jogo de futebol, mas a situação ali era bem diferente. Então Thiago começou a levantar minha camisa e eu estanquei. O amava, era fato, só que a dúvida sobre quem merecia minha primeira vez chegou junto de um turbilhão de pensamentos gritantes: Felipe.
-Thiago, - falei empurrando-o. - melhor não... Não agora. - e levantei. Ele permaneceu deitado na cama durante uns segundos até levantar e pegar a camisa que havia jogado no chão durante os beijos, vestindo-a e se aproximando de mim.
-Desculpe. - e me beijou os lábios. - Acho que perdemos o controle aqui. - e sorriu. - E você é linda e porque não dizer também gostosa. - nesse momento dei-lhe um tapa no braço que o fez rir. - Eu entendo. Por mais que eu soubesse que tinha que parar, não conseguia sozinho. Eu te amo e isso não devia ser desse jeito, movido a certa raiva por causa de toda a situação. Eu te amo, Diana. - falou sorrindo e afagando minha bochecha. Dei-lhe um beijo terno e depois o  vi sair do quarto e ir embora.

Eu mordi o lábio e sorri. Para em seguida lembrar da situação complicada em que estava metida e me jogar na cama bufando.

sábado, 2 de novembro de 2013

Âmbar - Capítulo 11


Eu tinha acabado de perceber o que sentia. Por mais que amasse Thiago, era verdade que havia me apaixonado por Felipe, o primo malvado que conseguira essa façanha por ser um completo idiota. O pior de toda a conversa foi ver Thiago achando que aquilo era uma brincadeira minha, como se nos últimos meses eu tivesse sido uma peste, pregando peças em todo mundo.
-A culpa é minha, afinal eu me permiti sentir isso, mas eu te culpo também, e muito por sinal. - falei sem olha-lo. Para mim já bastava seu tom de voz acisador.
-Agora a culpa é minha? - perguntou exaltado. - Oh Claro! Fui eu quem aproximou os dois!
-Na verdade, foi sim. - falei com um pouco de raiva por vê-lo dizer besteiras. Provavelmente ele nem estava raciocinando direito com tanta informação. - Ou você esqueceu que pediu pro seu primo amado cuidar de mim? Sem contar o fato de ter ignorado minhas ligações, mensagens, e-mails, ter me bloqueado nas redes sociais e, sendo o mais sincera possível, se eu tivesse mandado sinais de fumaça você teria ignorado. - disse exaltada, e percebei que estávamos em pé, quase gritando. Vi seu rosto passar de uma expressão indignada para uma culpada. Ficamos em silencio por poucos instantes, até que voltei a falar.
-E sabe o que é mais engraçado? O fato de ainda ser louca por você, de te amar como nunca pensei poder amar alguém. - me aproximei devagar e, com receio, pousei minha mão em seu rosto. - Eu te amo. - sussurrei, segurando-o com as duas mãos. Thiago olhou em meus olhos e percebi como ele se sentia perdido depois de tanta informação vomitada em seus pés. Então  o beijei, com certo medo que se afastasse com raiva, mas apenas me correspondeu. Ele me apertou contra o próprio corpo e nosso beijo começou a ficar mais desesperado. Necessitávamos um do outro, como nunca havíamos necessitado. Os minutos começaram a parecer horas durante esse nosso beijo, quando Thiago me segurou pelos ombros, afastando-me com certa urgência.
-Por mais que eu te ame, nada disso muda os fatos. E o fato aqui é que você gosta de duas pessoas ao mesmo tempo e, enquanto estiver com essa dúvida, não poderemos ficar juntos. - e foi embora. Ainda fiquei na praia, pensando em toda a situação e era verdade que eu não poderia ficar com Thiago ainda pensando em Felipe. Que grande enrascada que eu meti, hein?!

Parecia que tudo estava se repetindo, exceto pelo fato de que eu tinha dois caras de quem gostava, quando antes não existia ninguém.
Acordei sem vontade de ir para a escola, com certo medo de encarar Felipe e também Thiago, caso fosse. Como sempre, fui a primeira a entrar na sala e sentei em minha mesa. A sala foi começando a encher e minutos antes do professor chegar, Felipe sentou ao meu lado.
-O que aconteceu entre você e Thiago ontem? - perguntou, tirando o livro de minhas mãos.
-Como assim? - retruquei sem compreender e ignorando a arrogância com relação ao livro.
-Thiago chegou em casa, deu boa noite e se trancou no quarto. Tentei falar com ele, mas o idiota disse pra te perguntar. Então...?
-Então o que? - perguntei, mas admito que estava me fazendo de idiota.
-O que aconteceu, mulher? - perguntou exaltado. Todos na sala nos olharam. Levantei e fiz um gesto para Felipe me seguir. No corredor, expliquei toda a situação, mas o pior de tudo foi vê-lo me olhar com cara de quem não acreditava em nada. Por fim, mencionei o fato de estar gostando dele.
-Como? - perguntou meio pasmo.
-O que você ouviu Felipe, não se faça de idiota numa hora dessas. - respondi com um pouco de raiva. Ele escondeu um sorriso e se apoiou nos armários ao meu lado.
-O que vai fazer? - perguntou-me.
-Se eu soubesse, não estaríamos tendo essa conversa. - respondi com um sorriso sarcástico. Vimos o professor entrar na sala e decidimos não perder aula por causa de assuntos que poderiam esperar. Entramos e senti todos os olhares da turma em nós. Grande ironia.

No fim das aulas, saí junto de Felipe, que me acompanhou até o prédio onde eu teria aula de canto. Me sentia cada vez mais próxima dele, como se todo o passado de ódio não tivesse existido. Conversávamos sobre Thiago e sobre como meus sentimentos afetavam nós três, mas nem parecia que ele era um dos caras que meu coração fizera questão de se apaixonar.
Agradeci por ele ter me acompanhado, quando vi aquele sorriso que odiava aparecer de novo.
-Acha que vou perder você cantando? - perguntou-me. Bufei e entrei no prédio com Felipe atrás de mim como se fosse um cachorrinho.
A aula foi ótima, apesar de ter ficado envergonhada em alguns momentos após ver como Felipe me olhava admirado. O rubor da minha pele, porém, foi um pouco disfarçado por causa da cor dos meus cabelos que estavam soltos. Era incrível como a situação havia mudado entre nós, como eu estava à vontade na presença dele. Estranho e bom.
Andávamos pelos corredores desertos quando Felipe girou a maçaneta de uma porta e viu que ela estava aberta. Lançou-me um olhar e segurou minha mão. Rindo, falei que não, mas ele me puxou com força e então nos trancou na sala meio escura. Andei até o outro lado ficando longe, mas com um desejo consciente de ter nosso joguinho de sempre, de seu corpo me prendendo contra a parede e acho que ele percebeu. Larguei minha bolsa e fez o mesmo quando segurou meus braços. Só que dessa vez ele foi gentil e entrelaçou nossos dedos, o olhar fixo em meu rosto, em meus lábios. Eu via seus olhos cor de âmbar desejarem aquele momento. Então ele me beijou e percebi o quanto gostava daquele idiota, o quanto suas atitudes imbecis conseguiram me conquistar. Pensei em Thiago também, mas tratei de afastar aquele pensamento imediatamente.

Eu estava com Felipe naquele momento.